Início / De Manaus a Porto Alegre, 11 cidades brasileiras…

De Manaus a Porto Alegre, 11 cidades brasileiras figuram entre as mais expostas ao calor extremo

23 de Junho de 2026, 15:55 0 visualizações

Onze cidades brasileiras estão entre as mais vulneráveis do planeta aos impactos das ondas de calor, segundo um estudo internacional liderado por pesquisadores da Universidade de Oxford.

O levantamento avaliou 205 cidades com mais de 1 milhão de habitantes e concluiu que fatores sociais e urbanos podem ser tão importantes quanto a temperatura na definição dos riscos para a população.

A pesquisa foi publicada na revista científica Sustainable Cities and Society e teve como principal autor o pesquisador Malik Aqeel, da Oxford Programme for Sustainable Cities.

O trabalho analisou grandes centros urbanos da América Latina, Ásia, África e Oriente Médio, combinando dados climáticos com indicadores socioeconômicos, demográficos e de infraestrutura.

Manaus lidera ranking brasileiro

Entre as cidades brasileiras, Manaus aparece como a mais vulnerável ao calor extremo, ocupando a 27ª posição no ranking mundial. Em seguida aparecem Goiânia (46ª), Belo Horizonte (66ª), Fortaleza (67ª), São Paulo (77ª), Rio de Janeiro (83ª), Brasília (88ª), Recife (89ª), Salvador (93ª), Curitiba (119ª) e Porto Alegre (120ª).

No cenário latino-americano, a capital amazonense figura entre as mais ameaçadas, atrás apenas de cidades como Barranquilla, na Colômbia, e Porto Príncipe, no Haiti.

Continua após a publicidade

Os pesquisadores destacam que a vulnerabilidade não depende apenas da intensidade do calor.

O estudo leva em consideração fatores como renda da população, acesso à eletricidade, qualidade das moradias, disponibilidade de áreas verdes, capacidade dos sistemas de saúde e proporção de idosos e crianças, grupos considerados mais suscetíveis aos efeitos das altas temperaturas.

Efeito ilha de calor agrava situação em Manaus

Embora esteja cercada pela maior floresta tropical do mundo, Manaus sofre fortemente com o fenômeno conhecido como ilha de calor urbana.

Estudos anteriores mostram que determinadas áreas da cidade registram temperaturas médias até 1,7°C superiores às observadas em regiões vegetadas do entorno.

Continua após a publicidade

O avanço da urbanização, a impermeabilização do solo e a redução da cobertura vegetal ajudam a explicar esse fenômeno.

Em dias mais quentes, a diferença de temperatura entre áreas urbanizadas e regiões florestadas pode chegar a 3°C.

Pesquisas publicadas nos últimos anos também indicam que os episódios de calor extremo se tornaram mais frequentes na capital amazonense. Entre 1970 e 2019, Manaus registrou 225 ondas de calor, sendo quase 90% delas concentradas nas duas últimas décadas do período analisado.

Mudanças climáticas ampliam riscos à saúde

O estudo reforça alertas feitos por organismos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde e a Organização Meteorológica Mundial, que vêm apontando o calor extremo como um dos desastres climáticos mais letais da atualidade.

Continua após a publicidade

Diferentemente de enchentes ou furacões, as ondas de calor costumam provocar mortes de forma menos visível, por meio do agravamento de doenças cardiovasculares, respiratórias e renais.

Os impactos atingem especialmente idosos, crianças, trabalhadores expostos ao ar livre e moradores de áreas com infraestrutura precária.

Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que o número de pessoas expostas a temperaturas perigosas tem aumentado em praticamente todas as regiões do planeta, impulsionado pelo aquecimento provocado pelas emissões de gases de efeito estufa.

Desigualdade urbana aumenta exposição da população

Os autores do estudo argumentam que o risco climático é amplificado por desigualdades históricas.

Continua após a publicidade

Em bairros periféricos, onde há menor cobertura arbórea e maior concentração de moradias inadequadas, os efeitos do calor tendem a ser mais intensos.

Além disso, o acesso limitado a equipamentos de refrigeração, como ventiladores e aparelhos de ar-condicionado, reduz a capacidade de adaptação das famílias de baixa renda.

Em muitos casos, mesmo quando esses equipamentos estão disponíveis, o custo da energia elétrica dificulta sua utilização contínua.

Segundo os pesquisadores, cidades da América Latina enfrentam um desafio adicional: adaptar-se ao aumento das temperaturas em um contexto marcado por desigualdades sociais, crescimento urbano acelerado e infraestrutura insuficiente.

Continua após a publicidade

Arborização e alertas precoces estão entre as soluções

O estudo aponta que políticas públicas voltadas exclusivamente para resposta a emergências não serão suficientes para enfrentar o problema. Entre as medidas recomendadas estão a ampliação da arborização urbana, especialmente em periferias, a criação de sistemas de alerta precoce para ondas de calor, o fortalecimento das redes elétricas e a adoção de padrões de construção capazes de reduzir naturalmente o aquecimento dos imóveis.

Os autores defendem que estratégias desenvolvidas em países ricos nem sempre podem ser replicadas integralmente em economias emergentes. Por isso, as soluções precisam considerar as condições locais de renda, urbanização e infraestrutura.

Com a tendência de aumento da frequência e da intensidade das ondas de calor nas próximas décadas, especialistas avaliam que a adaptação das cidades será um dos principais desafios climáticos enfrentados pelo Brasil.

Publicidade

Veja Também

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar.

Deixe seu Comentário

Os comentários passam por moderação antes de serem publicados.