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Deixar para se cuidar só na menopausa pode ser tarde (e sofrido) demais

21 de Julho de 2026, 10:00 8 visualizações
Deixar para se cuidar só na menopausa pode ser tarde (e sofrido) demais

“Se você nasceu mulher, ninguém lhe ensinou muita coisa a respeito do seu corpo. Há gerações é assim.” É contra essa dinâmica, criada e estimulada por uma medicina tradicionalmente dominada por homens, que se insurgiu a americana Mary Claire Haver, uma das maiores especialistas e ativistas da causa da menopausa hoje.

A ginecologista e obstetra baseada no Texas tem um propósito ao romper com o status quo que foi cultivado dentro e fora dos círculos de jaleco branco. Ela quer empoderar mulheres com conhecimento para que não sofram quando os hormônios começarem a faltar.

Deixar para se cuidar só depois da menopausa pode ser dispendioso em termos físicos, emocionais e sociais. Convém se antecipar, visualizando e preparando o terreno. Em poucas palavras, é preciso descobrir a perimenopausa.

Haver acaba de publicar no Brasil pela editora Intrínseca A Nova Perimenopausa, livro que mergulha no que se sabe hoje sobre a fase que precede o fim da menstruação e da capacidade reprodutiva feminina.

Perimenopausa nada mais é que o período anterior à menopausa em si, que é o marco da cessação na produção de hormônios pelos ovários. Como é fácil intuir, as consequências desse processo – ou seja, da queda hormonal – se iniciam antes desse divisor de águas no corpo da mulher.

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A Nova Perimenopausa

Capa do livro A Nova Perimenopausa de Mary Claire Haver, com fundo azul-escuro. O título principal está em letras grandes, alternando entre verde-água e branco. Acima, o subtítulo Um guia para sobreviver à zona do caos hormonal e voltar a ser você. No canto superior direito, o logo da editora Intrínseca. Abaixo do título, o nome da autora e a menção best-seller do New York Times

A especialista realizou uma pesquisa com a comunidade de americanas que a acompanha e detectou que diversos sintomas relacionados ao climatério – que corresponde à janela de tempo total… antes, durante e após a menopausa – já dão as caras nessa primeira fase de transformação hormonal.

As cinco queixas mais comuns foram:

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  1. Ondas de calor – 85% das mulheres
  2. Ganho e redistribuição de peso – 82%
  3. Ansiedade e depressão – 82%
  4. Distúrbios do sono – 81%
  5. Fadiga – 80%

Só que nem sempre as mulheres sabem pelo que estão passando. “É coisa da sua cabeça”, “É da idade”, “Paciência que passa” são frases que elas cansaram de ouvir. Pior: um estudo recente, também realizado nos Estados Unidos, aponta que mais de um terço daquelas na perimenopausa não reconhecem ou confundem as manifestações típicas dessa fase.

A doutora Haver quer mudar essa realidade. Para ela, uma mulher informada e assistida por bons profissionais pode neutralizar o “caos hormonal”, mantendo a disposição, o humor, a vida sexual…

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A perimenopausa compreende um período que vai dos 35 aos 50 anos – varia muito porque cada jornada feminina também é única, como a ginecologista gosta de ressaltar. Mas existem algumas recomendações que podem ser generalizadas, ainda mais quando se tem em mente que nem sempre pacientes terão acesso aos ginecologistas e às orientações baseadas em ciência do jeito e no tempo certos.

Seu livro é, portanto, uma aula sobre esse momento tão singular na vida feminina, um momento que pode alterar o cérebro, os ossos, os músculos, o sono, a libido… Mas que não é uma sentença de derrocada, improdutividade, senilidade.

Com as ferramentas certas, algumas delas fornecidas pelo estilo de vida, outras oferecidas por tratamentos médicos, é possível não só sobreviver à perimenopausa como utilizar essa fase sui generis para metamorfosear hábitos, aspirações e a própria noção de envelhecimento. Porque, agora, graças a obras como essa, as mulheres desta e das próximas gerações poderão conhecer bem melhor seu corpo.

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