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Devagar, Durigan, que esse negócio com a China não é negócio da China

26 de Junho de 2026, 14:52 0 visualizações

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, é um apparatchik  da esquerda brasileira.

Ao lançar uma cortina de fumaça sobre o buraco nas contas governamentais, fazendo crer que Lula economiza enquanto gasta cada vez mais, o jovem com receituário velho faz política partidária com a moeda brasileira.

É o vale tudo inflacionário petista com o qual o Banco Central tem de se haver, mantendo os juros em patamares impagáveis em ambos os sentidos, já que o negócio é rir para não chorar.

A última do apparatchik foi formalizar uma emissão de títulos da dívida soberana brasileira em yuan, a moeda chinesa.

O governo quer captar 5 bilhões de yuans, o equivalente a R$ 3,8 bilhões de reais, com os panda bonds, que é como o troço se chama.

De acordo com o Ministério da Fazenda, trata-se de “aprofundar a cooperação financeira entre Brasil e China, em linha com os esforços de fortalecimento dos vínculos econômicos e financeiros bilaterais”.

Durigan não tem receio de retaliações dos Estados Unidos e tempera o experimento com os panda bonds — até válido para diversificar, mas de forma moderada — com aquela pitada de antiamericanismo tão ao gosto dos companheiros. Disse ele:

“É assim que a gente se equilibra. Não batendo continência para a bandeira americana. A gente foi para os Estados Unidos, o presidente Lula foi lá na Casa Branca e disse para o presidente Trump algumas coisas. Primeiro: quero aumentar o comércio com os Estados Unidos. Vamos ultrapassar essa discussão sobre tarifa punitiva ao Brasil para que a gente amplie o comércio com os Estados Unidos.”

E prosseguiu:

“A gente, evidentemente, faz a avaliação de risco, mas não me parece que isso deva limitar a atuação do Brasil. Então, há uma avaliação de risco, há atuação diplomática, atuação política, mas isso não nos limita. É isso que é o mais importante. Toda a discussão tarifária dos Estados Unidos em relação ao Brasil é injusta.”

Não há tanta injustiça na vida real, vamos ser sinceros uma vez da vida, pelo amor de Deus, uma vez que a questão não é tanto o tamanho do déficit ou do superávit na balança comercial com o Estados Unidos e sim o protecionismo brasileiro, que impõe tarifas de importação entre as mais altas do mundo no caso do etanol, dos automóveis e autopeças, dos eletrônicos, das roupas e calçados.

Para não falar, e já falando, das barreiras não-tarifárias que o Brasil levanta contra uma série de produtos estrangeiros, como excesso de requisitos, normas e certificações, exigências de conteúdo local e regimes especiais.

Mas voltemos ao ponto, o dos panda bonds. O problema de cutucar os Estados Unidos com vara curta é que a vara é chinesa.

Usemos a mesma linguagem do apparatchik: não vamos bater continência à bandeira americana, mas vale ainda menos a pena bater continência à bandeira chinesa.

Os dados da economia da China, que repercutem no valor da sua moeda, não são totalmente confiáveis, uma vez que não há instituições inteiramente independentes que façam a verificação dos diversos dados, como o de crescimento econômico e o de inflação, por exemplo.

O fluxo de entrada e saída de capitais é extremamente controlado na China, o que pode causar atrasos nos pagamentos e nas conversões dos títulos da dívida.

Os panda bonds também têm menor liquidez do que os títulos emitidos em euros ou em dólares.

Sendo assim, e assim o é, o apparatchik não pode vender os panda bonds como grito de independência, não. Devagar, rapaz, que esse negócio com a China não é um negócio da China.

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