Dezenas de mortes em campo de refugiados no Congo geram suspeita de ebola descontrolado
Pelo menos 30 pessoas morreram desde o início de maio no campo de Kigonze, que abriga mais de 15 mil pessoas deslocadas no nordeste da República Democrática do Congo, em um aumento incomum de óbitos que preocupa autoridades e organizações humanitárias diante da possibilidade de disseminação acelerada do vírus ebola.
De acordo com o presidente do campo de deslocados, Dz’djo Ndrutsi Etienne, 10 pessoas foram enterradas apenas nesta semana. Em períodos normais, o local registrava entre uma e três mortes por mês.
“As pessoas não morriam assim antes”, disse a porta-voz do campo, Desire Grodya Bapi, à agência de notícias Reuters.
Representantes da comunidade local informaram à agência de notícias Reuters que os mortos apresentavam sintomas compatíveis com o ebola, como febre, dores de cabeça e vômitos. No entanto, familiares e moradores se recusaram a submeter os corpos a exames, o que impediu a confirmação das causas das mortes.
A desconfiança em relação às autoridades sanitárias tem dificultado o controle do surto da doença no país, com relatos de enterros realizados sem seguir os protocolos de segurança.
Surto de ebola
Na semana passada, o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) confirmou as primeiras mortes relacionadas ao ebola no campo de Kpangba. As vítimas eram uma mulher de 60 anos e sua filha, ambas diagnosticadas com a doença após a morte. Na época, as autoridades identificaram ao menos oito contatos próximos da mulher infectada, elevando o risco de novos casos.
O vírus já se espalhou por três províncias do Congo desde que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou uma emergência de saúde pública de interesse internacional em 17 de maio. Desde então, até a última terça, foram registrados mais de 800 casos e quase 200 mortes no país.
Organizações humanitárias afirmam que a vulnerabilidade dos campos de refugiados aumentou após cortes de recursos destinados a água, higiene e saneamento. Segundo as Nações Unidas, o financiamento para instalações sanitárias e pontos para lavagem das mãos na República Democrática do Congo caiu mais da metade entre 2024 e 2025, chegando a cerca de US$ 38 milhões. Neste ano, apenas 21% do orçamento humanitário de US$ 80 milhões foi coberto.