Início / Diabetes: a principal barreira a ser superada qu…

Diabetes: a principal barreira a ser superada quando doença atinge idosos

26 de Junho de 2026, 11:00 0 visualizações
Diabetes: a principal barreira a ser superada quando doença atinge idosos

O diabetes é uma das doenças crônicas mais comuns do mundo, acometendo mais de 830 milhões de pessoas ao redor do globo. O tratamento do diabetes está bem estabelecido, mas o bom controle glicêmico depende não apenas do uso correto das medicações. É necessário fazer mudanças no estilo de vida. Isso inclui uma alimentação mais saudável e adequada às necessidades do paciente diabético, além da prática regular de atividade física compatível com a faixa etária e as limitações de cada indivíduo.

Ainda assim, a adesão adequada ao tratamento e às mudanças de comportamento continua sendo um dos principais desafios no controle da enfermidade. Na população idosa, condições relacionadas ao envelhecimento tornam o acompanhamento ainda mais necessário, exigindo o apoio de familiares, cuidadores e médicos.

Silencioso e prejudicial ao bom funcionamento do organismo, o diabetes ocorre quando o corpo deixa de produzir insulina ou quando há resistência à ação dela. Esse hormônio é responsável por permitir que a glicose presente no sangue entre nas células e seja utilizada como fonte de energia pelo organismo. Quando sua produção é insuficiente ou sua ação é comprometida, essa molécula permanece circulando na corrente sanguínea, provocando a hiperglicemia.

Em pacientes idosos, é comum que alguns não compreendam plenamente a importância do comprometimento com o tratamento para a sua eficácia, considerando que ele é contínuo e exige organização e ajustes nos hábitos. Um dos erros mais frequentes é a descontinuidade do uso da medicação quando os níveis de glicose estão controlados. A estabilização da glicemia ocorre justamente pela combinação entre o tratamento medicamentoso e as mudanças no estilo de vida.

Atualmente, existem diferentes opções terapêuticas para o tratamento do diabetes, incluindo medicamentos administrados por via oral e injetáveis. Entre estes últimos, a insulina, utilizada há quase um século, continua sendo uma excelente alternativa para determinados pacientes.

Continua após a publicidade

Além dela, novas terapias desenvolvidas nos últimos anos, especialmente os medicamentos injetáveis análogos ao GLP-1 (hormônio natural produzido pelo intestino que regula o açúcar no sangue e está presente nas canetas de semaglutida e tirzepatida), têm contribuído para o controle glicêmico e para a melhora da qualidade de vida dos pacientes.

Ainda sobre as transgressões, permanece como um problema recorrente a ingestão de alimentos ricos em açúcares com a justificativa de que o uso da medicação é feito para liberar o consumo desses itens. A dieta inadequada prejudica o tratamento, expondo o paciente aos riscos dos níveis elevados de glicose no organismo. Por isso, é importante incentivar hábitos alimentares saudáveis e adequados às necessidades de cada paciente que convive com a doença.

A hidratação também é negligenciada frequentemente. Com o avanço da idade, a sensação de sede tende a diminuir, aumentando o risco de desidratação. Esse quadro favorece a elevação dos níveis de glicose no sangue e dificulta ainda mais o controle do diabetes. Assim, é essencial estimular o consumo regular de líquidos ao longo do dia, especialmente água.

Continua após a publicidade

Fatores inerentes ao envelhecimento também podem comprometer a adesão adequada ao tratamento. O declínio das funções cognitivas, especialmente da memória, pode fazer com que o paciente esqueça os horários ou as doses dos medicamentos.

Junto a isso, complicações do próprio diabetes, como a retinopatia diabética, que causa perda visual importante, atrapalham na identificação de comprimidos, na leitura de prescrições e no ajuste e na aplicação de medicamentos injetáveis, como a insulina. Além disso, doenças osteoarticulares podem limitar a destreza necessária para a administração correta dessas medicações.

Nesse contexto, o papel da família, dos cuidadores e da rede de apoio se torna indispensável, auxiliando na adesão ao tratamento, no comparecimento às consultas, no uso e na aplicação adequada da medicação – que devem seguir horários exatos –, além do monitoramento da glicemia.

Continua após a publicidade

O suporte se torna ainda mais importante quando há necessidade de medicamentos injetáveis, uma vez que dificuldades visuais e limitações físicas podem impedir que o paciente realize a aplicação corretamente. Em doenças crônicas como o diabetes, o suporte social é um dos pilares fundamentais para a efetividade do acompanhamento.

Por fim, é importante compreender que a vida não deve passar a girar em torno do diabetes, porém, é preciso comprometimento para a eficácia do tratamento. A medicação e as mudanças de hábitos são orientações médicas que visam a preservar a autonomia e proporcionar ao paciente bem-estar e qualidade de vida. Com o controle da doença, é possível viver a vida de forma plena.

*Evandro Portes é endocrinologista do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) de São Paulo e atua no Centro de Estudos e Pesquisa Clínica do Serviço de Endocrinologia e Metabologia da instituição, com foco em pesquisas sobre diabetes mellitus

Publicidade

Veja Também

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar.

Deixe seu Comentário

Os comentários passam por moderação antes de serem publicados.