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Dívida de R$ 132 milhões pode transformar credores em donos de 15 usinas solares

16 de Agosto de 2026, 10:30 11 visualizações
Dívida de R$ 132 milhões pode transformar credores em donos de 15 usinas solares

Investidores que colocaram R$ 113,3 milhões em um título de renda fixa lastreado em usinas solares podem terminar a operação como sócios dos próprios ativos. Uma execução de R$ 132,9 milhões movida pelo BTG contra garantidores ligados a outra operação acionou um gatilho no CRI da Evolua Energia Operacional 2, dona de 15 usinas fotovoltaicas. Agora, os credores serão chamados a decidir se aceleram a dívida e avançam sobre as ações da companhia.

A cobrança do BTG envolve notas comerciais da Infrasolar Holding e alcança a Infracapital Brasil FIP e João Alberto Bertin Sanches, que também figuram como fiadores do CRI da Evolua. A ligação entre as duas estruturas foi suficiente para a Habitasec, securitizadora da operação solar, levar aos investidores a possibilidade de vencimento antecipado. Procurada pelo Radar Econômico, a Habitasec afirmou que só tomou conhecimento da execução em meados de julho e ressaltou que a Infrasolar não integra sua emissão.

O problema, porém, não veio apenas de fora. O fundo de reserva do próprio CRI ficou abaixo do nível previsto no contrato. Em maio, foi necessário recompor R$ 158,8 mil. A Habitasec informou ao Radar que o desenquadramento referente a julho ainda não foi regularizado. Na prática, a execução do BTG acionou um dos alarmes de uma estrutura que já apresentava um descumprimento próprio.

Se os investidores decidirem antecipar a dívida e executar as garantias, o desfecho poderá ser pouco convencional para quem comprou um papel de renda fixa. A proposta em discussão prevê avaliar 100% das ações da Evolua Energia Operacional 2, transferi-las à securitizadora e integralizá-las em um fundo imobiliário. Os credores receberiam cotas subordinadas desse FII como pagamento e passariam, indiretamente, a ter exposição patrimonial às 15 usinas.

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Esse caminho está mais preparado do que parecia na época da emissão. O prospecto alertava que algumas garantias ainda dependiam de registros para se tornarem plenamente exequíveis. A Habitasec afirmou agora que todas estão constituídas e registradas. Disse também que a alternativa do FII, embora ainda dependa da aprovação dos investidores, passou por uma análise prévia de viabilidade antes de ser levada à assembleia.

A Brasol, indicada nos documentos como potencial gestora do fundo, não entrou em detalhes. Questionada pelo Radar sobre a estrutura e a diligência dos ativos, afirmou que “não comenta operações em análise e em processo de diligência”. A resposta, somada à confirmação da Habitasec de que a estrutura já teve sua viabilidade analisada, mostra que a hipótese de transformar os credores em donos econômicos das usinas saiu do terreno de uma cláusula contratual abstrata.

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Os investidores decidirão os próximos passos em assembleia marcada para 26 de agosto. Até lá, a Evolua ainda pode regularizar pendências ou negociar uma saída. Mas, se isso não acontecer, uma dívida contraída em outra ponta da estrutura pode terminar produzindo um resultado improvável: quem comprou um CRI para receber juros poderá sair com participação em 15 usinas solares.

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