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Documentário de acadêmicos de Direito dá voz a idosos e mostra histórias de abandono e superação em Santarém

19 de Junho de 2026, 12:20 0 visualizações

Documentário de acadêmicos de Direito dá voz a idosos e mostra histórias de abandono e superação em Santarém Divulgação Mais do que um trabalho acadêmico, um grupo de estudantes do curso de Direito da Unama, em Santarém, decidiu transformar a pesquisa sobre o Junho Violeta em uma experiência de escuta, acolhimento e conscientização sobre a realidade da população idosa. ✅ Siga o canal g1 Santarém e Região no WhatsApp O projeto, desenvolvido pelas acadêmicas Jeannine Andrea Flores Carvalho, Emily Brasil e Ana Carla Lima, sob orientação da professora Flávia Perez, resultou na produção de um documentário sobre a valorização da pessoa idosa, mas também levou os estudantes para além da sala de aula, em visitas a instituições de acolhimento e espaços comunitários. Durante meses de pesquisa, entrevistas e atividades sociais, as acadêmicas tiveram contato direto com idosos atendidos pelo Asilo São Vicente de Paulo e pelo CRAS Ribeirinho, ouvindo histórias de vida, desafios e relatos que marcaram profundamente a equipe. “Percebemos que muitos idosos enfrentam não apenas dificuldades materiais, mas também a solidão. Alguns relataram a ausência de visitas de familiares e o sentimento de abandono. Isso nos fez refletir sobre a importância do afeto, da presença e do cuidado”, contou Jeannine Andrea Flores Carvalho. A proposta inicial surgiu durante a disciplina de Direitos Humanos, quando a turma recebeu o desafio de produzir um documentário relacionado ao Junho Violeta, campanha nacional de conscientização e combate à violência contra a pessoa idosa. Conforme as pesquisas avançaram, o grupo percebeu que o tema exigia uma abordagem mais ampla. Além de discutir os diferentes tipos de violência, física, psicológica, patrimonial e financeira, as estudantes buscaram apresentar a história dos direitos da pessoa idosa no Brasil e destacar uma curiosidade pouco conhecida: a participação de lideranças paraenses na construção do movimento que contribuiu para a criação do Estatuto da Pessoa Idosa. Para a acadêmica Ana Carla Lima, a produção do documentário permitiu compreender como a legislação impacta diretamente a vida das pessoas. “Não queríamos falar apenas da lei. Nosso objetivo era mostrar como esses direitos fazem diferença na prática. Por isso fomos ouvir idosos, conhecer suas experiências e entender suas necessidades”, explicou. O documentário reúne entrevistas com especialistas, autoridades e personagens que participaram da luta pelos direitos da população idosa. Entre eles está Emídio Rebelo Filho, natural de Alenquer, que integrou movimentos organizados no Pará voltados à defesa dos aposentados e idosos e participou de iniciativas que ajudaram a impulsionar debates nacionais sobre o tema. Mas foram os encontros com os idosos que mais marcaram os estudantes. Emily Brasil lembra que uma das histórias que ouviu durante as visitas mudou sua percepção sobre o envelhecimento. “Conheci uma senhora de 68 anos que relatou sentir uma profunda solidão. Mesmo tendo vários filhos, ela não recebe visitas. Isso nos faz refletir sobre como a sociedade muitas vezes esquece daqueles que dedicaram a vida inteira ao cuidado de outras pessoas”, relatou. Segundo ela, muitos idosos destacaram a fragilidade dos vínculos familiares e a necessidade de atenção e companhia. Outros falaram sobre dificuldades relacionadas à falta de recursos e à dependência de doações. A experiência também revelou desafios enfrentados pelas instituições que acolhem idosos em situação de vulnerabilidade. Durante as visitas, as estudantes tomaram conhecimento da existência de filas de espera para acolhimento, reflexo da limitação de espaço e da crescente demanda por atendimento. Para a professora Flávia Perez, a vivência permitiu que os alunos compreendessem o Direito de forma mais humana. “Quando os estudantes entram em contato com a comunidade, eles percebem que cada demanda jurídica envolve pessoas, histórias e realidades complexas. Isso desenvolve sensibilidade social e fortalece o compromisso com a efetivação dos direitos”, afirmou. Ao final do projeto, as acadêmicas afirmam que saíram transformadas pela experiência. “Hoje entendo que envelhecer é um privilégio. Mas também percebo que a sociedade tem a responsabilidade de respeitar, acolher e garantir dignidade a quem ajudou a construir o mundo em que vivemos”, disse Jeannine. Acadêmicos do projeto Divulgação A iniciativa busca justamente ampliar esse debate. Em um cenário em que o Junho Violeta ainda é pouco conhecido por grande parte da população, o documentário pretende chamar atenção para a necessidade de combater a violência contra idosos e promover uma cultura de respeito, inclusão e valorização da terceira idade. Para as estudantes, a principal mensagem deixada pelo projeto é simples: envelhecer faz parte da vida de todos e garantir dignidade às pessoas idosas significa também construir o futuro que cada geração deseja para si. Agora no g1 VÍDEOS: mais vistos do g1 Santarém e Região
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