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Economistas avaliam discurso de Lula e recado à Trump

17 de Junho de 2026, 16:58 0 visualizações
Economistas avaliam discurso de Lula e recado à Trump

Em Évian-les-Bains, França, desde segunda-feira, o presidente Lula ainda não conseguiu a tão sonhada  conversa reservada com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para falar sobre as recentes tarifas anunciadas pela Casa Branca. Os dois presidentes estão na cúpula do G7.

Foto família

Uma imagem causou repercussão, depois da ” foto família”, o tradicional registro do evento, um vídeo revelou que Trump passou pelo presidente brasileiro e não o cumprimentou. Na hora, Lula conversava com Ursula Von Der Lyne, presidente da Comissão Europeia, e Antonio Costa, presidente do Conselho Europeu. De fato, a imagem mostrou que Trump não cumprimentou ninguém daquela roda, e Lula também não saiu do lugar para se aproximar de Trump.

Lula cobra e manda recado à Casa Branca

O discurso do brasileiro aos membros do G7 foi de cobrança, Trump estava na plateia enquanto Lula defendeu a soberania nacional no combate à facções criminosas, o multilateralismo e criticou o protecionismo. Foram sinais claros, segundo economistas, de desconforto com a política comercial adotada pela Casa Branca. A ameaça de novas tarifas foi o estopim, segundo economistas ouvidos por Veruska Donato no programa Mercado.

Neoliberalismo? Sim, temos

Para Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados, o momento da foto não diz nada. Sergio argumenta que esse é o estilo Trump de ser “ ele ter esse tipo de reação ou não cumprimentar ou passar reto, ele já fez isso inúmeras vezes desde que ele virou presidente ainda no seu primeiro mandato”.

Para ele o que chama mesmo a atenção foi o discurso de Lula “Ele acabou misturando temas distintos ao inserir críticas ao neoliberalismo em um debate que, segundo ele, deveria estar concentrado nos desafios fiscais enfrentados pelas principais economias do mundo.

Na avaliação do economista, existe um equívoco em tratar responsabilidade fiscal e proteção social como conceitos opostos.

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Disciplina fiscal necessária

Vale argumenta que o envelhecimento da população em diversos países exige cada vez mais recursos públicos para saúde e previdência, tornando a disciplina fiscal uma necessidade. Para ele, a discussão entre mais Estado ou austeridade representa um falso dilema, já que a sustentabilidade das contas públicas é condição para financiar políticas sociais no longo prazo.

Estilo Trump

Ao analisar Trump, o economista destaca que o presidente americano tem um estilo distante dos padrões tradicionais da diplomacia. Segundo Vale, o republicano conduz negociações com foco exclusivo nos interesses dos Estados Unidos, sem grande preocupação com gestos protocolares ou construção de consensos internacionais.

Pior para os exportadores brasileiros

Na questão comercial, Vale avalia que Trump mantém uma visão econômica considerada ultrapassada por boa parte dos especialistas, baseada na crença de que tarifas elevadas são capazes de trazer de volta indústrias e empregos para os Estados Unidos. Diante desse cenário, ele acredita que exportadores brasileiros precisam acelerar a busca por novos mercados. “Para esses exportadores, é necessário buscar novos mercados, porque o Trump acredita de fato que colocar tarifa é a melhor opção”, afirmou.

Lula não quis aproximação, acredita economista

Já Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, vê a situação por outro ângulo. Segundo ele, a reação de Lula está ligada à quebra de confiança em negociações que vinham sendo construídas entre os dois países. Agostini relatou que houve uma longa conversa entre Lula e Trump na Casa Branca para alinhar um acordo envolvendo terras raras e minerais críticos, considerados estratégicos para a indústria de tecnologia e para a transição energética.

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Quebra de confiança

Na avaliação do economista, o anúncio posterior das tarifas sobre produtos brasileiros representou uma ruptura desse entendimento. Alex defende a indignação do presidente brasileiro ” Não foi nada ético em relações comerciais e não me surpreende essa postura tanto de Donald Trump como do presidente Lula, por não abaixar a cabeça e ir atrás de Trump”, afirma.

Ruptura?

Agostini está convencido de que o Brasil deve preservar sua autonomia e não aceitar imposições externas, ressaltando que tanto Brasília quanto Washington têm interesses importantes em comum, especialmente em áreas ligadas à tecnologia, data centers, minerais estratégicos e à disputa global por cadeias produtivas cada vez mais sofisticadas.

Lula e Trump se cumprimentam

Interlocutores do presidente Lula disseram hoje que os dois presidentes se cumprimentaram brevemente durante um evento social na noite de terça-feira.

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