El Niño 2026: SUS reforça equipes para emergências e cria painel de calor extremo
Diante das previsões de ondas de calor e chuvas intensas por causa do El Niño, o Ministério da Saúde fez o lançamento nesta terça-feira, 30, de um conjunto de ações para mitigar os efeitos do fenômeno e aumentar a capacidade das equipes de saúde para atuação em situações de emergência. As medidas contam com a ampliação das bases da Força Nacional do SUS para chegar em até 12 horas em ocorrências e a criação do Painel Nacional de Calor Extremo.
Para que as equipes cheguem de forma rápida a locais atingidos por desastres relacionados às mudanças climáticas, como enchentes e incêndios, serão instaladas oito novas bases da Força Nacional do SUS em cidades como Porto Alegre (RS), Salvador (BA), Rio de Janeiro (RJ) até o próximo ano, quando é previsto que o fenômeno ainda esteja em atividade.
Além do acesso aos locais afetados em até 12 horas, as unidades vão contar com estrutura para atuação sem interrupções nos primeiros três dias após as emergências com drones, rádios, viaturas e equipamentos de reconhecimento.
“O Ministério da Saúde deixou claro, inclusive na COP30, que considera a crise climática, antes de mais nada, uma crise de saúde pública. Com as bases descentralizadas, aumentamos em 20 vezes a capacidade de pronta resposta em até 12 horas, com profissionais capacitados, equipamentos e estruturas mais próximas dos territórios”, disse, durante anúncio, o ministro da Saúde Alexandre Padilha.
Calor extremo
Como estão previstas para o segundo semestres ondas de calor na região Sudeste, seca no Nordeste e estresse térmico com queimadas e incêndios no Centro-Oeste, a pasta lançou o Painel Nacional de Calor Extremo, uma plataforma que cruza informações sobre a previsão do tempo para todos os municípios brasileiros e as áreas com populações de maior risco, a partir de indicadores de vulnerabilidade socioeconômica, para desenvolver ações de preparação e resposta diante de altas temperaturas.
“Em períodos de calor extremo, o Ministério da Saúde reforça as medidas de proteção, com atenção especial a idosos, crianças, gestantes e pessoas doentes ou acamadas e também a trabalhadores expostos ao sol e pessoas em situação de rua”, disse, em nota, a pasta.
Há grande preocupação com a população acima de 60 anos. “Os idosos são o grupo mais vulnerável devido à menor percepção de sede, à maior presença de doenças crônicas e ao uso de medicamentos que podem reduzir a capacidade de adaptação ao calor, aumentando o risco de desidratação, exaustão térmica e agravamento de condições pré-existentes.”
El Niño 2026
O boletim do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), divulgado nesta segunda-feira, 29, aponta que o El Niño tem alta probabilidade de ser “muito forte, quando as anomalias/desvios de temperatura da superfície do mar no Oceano Pacífico Equatorial ficam acima de 2 °C”.
Os impactos do fenômeno devem ser sentidos no período de julho a setembro com chuvas acima da média na porção mais ao Sul do país e abaixo da média no Centro-Oeste.
“As previsões indicam alta probabilidade de temperaturas acima de média no segundo semestre, que podem aumentar os eventos de onda de calor e a ocorrência de incêndios florestais.”
Ainda segundo o Inmet, a previsão mostra 90% de probabilidade de que o El Niño se mantenha ativo até o início de 2027.