Em ‘clima de Copa’, chanceler do Irã recebe camisa da seleção brasileira de embaixador
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, recebeu uma camisa da seleção brasileira de futebol de presente nesta terça-feira, 16, durante uma reunião com embaixadores e diplomatas em Teerã. A cortesia foi descrita como um gesto “em sintonia com o clima da Copa do Mundo” e ganhou ampla repercussão na imprensa local em um momento no qual os iranianos enfrentam questões esportivas relacionadas à participação no torneio nos Estados Unidos, país com o qual travam uma guerra.
De acordo com um comunicado divulgado no perfil oficial de Araghchi no Telegram, a camisa foi entregue pelo embaixador André Veras Guimarães às margens da reunião de embaixadores e chefes de representações estrangeiras residentes em Teerã. O gesto foi acompanhado pelo embaixador do Uruguai no Irã, que também presenteou o ministro com uma camiseta da Celeste.
“Em um gesto simbólico e em sintonia com o clima vibrante da Copa do Mundo de Futebol, os embaixadores do Uruguai e do Brasil presentearam nosso ministro das Relações Exteriores com as camisas das seleções nacionais de futebol de seus respectivos países”, afirma a publicação.
Também foram publicadas duas imagens mostrando Araghchi erguendo as camisetas ao lado dos embaixadores, acompanhadas de uma legenda que destacava o esporte como um fator aproximador entre as nações.
“O nosso ministro enfatizou a necessidade de desenvolver a cooperação em diversos setores e, agradecendo a iniciativa dos embaixadores do Brasil e do Uruguai, ressaltou a importância da diplomacia esportiva no fortalecimento da aproximação entre os povos”, destaca o texto.


A cortesia ocorre em meio à Copa do Mundo de 2026, que tem sido particularmente problemática para o Irã. Uma vez que os Estados Unidos estão entre os três países-sede do torneio, a seleção iraniana tem a desconfortável missão de jogar em uma nação com a qual seu país está em guerra. É a primeira vez na história da competição que isso acontece.
Minutos após o empate contra a Nova Zelândia por 2 a 2 na última segunda-feira, 15, os iranianos receberam ordens para deixar imediatamente os Estados Unidos e retornarem a Tijuana, no México, onde montaram base para o torneio. O episódio levou o treinador da equipe, Amir Ghalenoei, afirmar que a seleção está sendo “oprimida” nos Estados Unidos e que o cenário causa dificuldades no âmbito esportivo.
“Passamos tanto tempo no ar que acho que quase não pisamos em terra firme. Não nos deram a oportunidade de chegar duas semanas antes para nos adaptarmos e nos aclimatarmos. Mesmo hoje à noite, logo após a partida, nos disseram que tínhamos que ir embora, sendo que hoje é o momento mais importante para o nosso próximo jogo, quando precisamos nos recuperar e nos preparar. Mas, em vez disso, temos que pegar um avião e voltar para Tijuana”, disse Ghalenoei.
Nem mesmo o retorno ao México foi isento de incidentes, uma vez que a seleção teve problemas no aeroporto de Los Angeles. O capitão Mehdi Taremi e o auxiliar Saeid Alhouei ficaram detidos por supostos problemas na documentação, atrasando o voo de volta a Tijuana. Em declaração feita ao portal UOL, o Departamento de Estado dos EUA afirmou que a medida era necessária para que Teerã “não abuse do sistema de vistos para infiltrar terroristas nos EUA sob falsos pretextos”.