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Em evento com Tarcísio, Haddad afirma que Sabesp foi vendida ‘em mesa de amigos’; já governador apoia privatização e diz focar 'em resultado'

15 de Junho de 2026, 13:39 0 visualizações

Os pré-candidatos ao governo de SP Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), durante evento da Veja Reprodução/YouTube O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, criticou nesta segunda-feira (15) o processo de privatização da Sabesp, empresa de saneamento básico paulista, realizada pela gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Em evento promovido pela revista "Veja" e com a presença do próprio Tarcísio, Haddad afirmou que a empresa foi vendida à iniciativa privada "em uma mesa de amigos”, com critérios “opacos e sem transparência”. Um pouco antes, o governador paulista havia defendido a privatização da companhia e afirmado que ela foi necessária para preservar a capacidade de investimento da companhia, acelerar a universalização do saneamento e antecipar as metas previstas no Marco do Saneamento (leia mais abaixo). De acordo com o ex-ministro da Fazenda, "quando a gente critica a privatização da Sabesp, é porque a gente abriu mão de R$ 3,7 bilhões na segunda etapa da privatização". "Em nome do quê fizemos isso? Por que nós canalizamos a concessão para uma empresa só, acrescentando cláusulas que afastavam outros investidores? Foram três cláusulas acrescentadas para afastar investidores e ficou na mão de um”, disse. “E, para piorar, depois de vender para um só dos interessados, que obviamente ofereceu o preço que lhe convinha, porque não tinha concorrente, ainda vendeu para amigos. Para pessoas escolhidas numa mesa, com critérios absolutamente opacos e sem transparência”, declarou. Cresce número de reclamações da Sabesp no Procon A declaração foi dada após uma pergunta sobre os governos petistas serem contrários às concessões. Segundo o petista, a gestão atual do presidente Lula concedeu mais rodovias à iniciativa privada do que a administração anterior, de Jair Bolsonaro (PL), que tinha Tarcísio de Freitas como ministro da Infraestrutura. “Eu não lido com ideologia. Lido com aritmética. (...) O ministro Renan Filho concedeu mais rodovias [para a iniciativa privada] do que o Tarcísio, quando era ministro. E eu não estou falando de 10%, 20%. Foi o triplo. Três vezes mais. E ele teve que rever quase todas as concessões de rodovia do governo anterior [Jair Bolsonaro] porque os contratos estavam todos tendo que ser revistos, com acompanhamento do Tribunal de Conas da União”, declarou. “Nós temos que tentar evitar a ideologização do debate e ir para os fatos concretos. Foram bilhões de reais na concessão de ferrovias sem pagamento de outorga. O que queriam que a gente fizesse? Lutasse pelo interesse público ou desse dinheiro para os empresários?”, afirmou. O que disse Tarcísio O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, durante evento da revista Veja, nesta segunda-feira (15). Reprodução/GloboNews A fala do petista foi feita logo depois que Tarcísio discursou no evento. Minutos antes, o governador, que disputa a reeleição, foi questionado sobre as críticas à privatização da empresa e afirmou que "o pessoal leva sempre para o lado da política; a gente está focando em resultado". Segundo Tarcísio, os efeitos da medida já podem ser observados em regiões da Grande São Paulo. Ele citou como exemplo o município de Guarulhos, que, de acordo com os dados apresentados por ele, passou de 2% de tratamento de esgoto em 2019 para 45% atualmente, com expectativa de atingir 78% até o fim deste ano. Ao comentar a resistência de parte da população às privatizações, Tarcísio afirmou que o debate costuma ser contaminado por questões ideológicas e defendeu que os resultados práticos sejam o principal critério de avaliação. "Ideologia e aritmética são dois valores que não se misturam", disse. Durante a entrevista, Tarcísio também fez críticas ao governo do presidente Lula: "Perda de oportunidade, não vai deixar saudades". Segundo o governador, o Brasil está desperdiçando oportunidades estratégicas por falta de visão de longo prazo e capacidade de execução. Sem citar medidas específicas da atual gestão, ele disse que o país permanece preso a "impasses do século XX" enquanto deixa de aproveitar vantagens competitivas em áreas como biocombustíveis, transição energética, segurança alimentar e economia do conhecimento.
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