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Em meio a trégua apenas no papel, Israel e Hezbollah concordam com novo cessar-fogo

19 de Junho de 2026, 13:21 0 visualizações
Em meio a trégua apenas no papel, Israel e Hezbollah concordam com novo cessar-fogo

Israel e a milícia libanesa Hezbollah concordaram com um cessar-fogo que entrará em vigor às 16h locais desta sexta-feira, 19, informou uma autoridade americana à agência de notícias Reuters. O anúncio veio após os Estados Unidos e o Irã assinarem um acordo que prevê o fim das hostilidades em todas as frentes do conflito no Oriente Médio, incluindo no Líbano, em meio a uma trégua já existente no país que foi violada parte a parte diversas vezes.

“O Hezbollah e Israel concordaram com um cessar-fogo”, disse a fonte, sob condição de anonimato, à Reuters, acrescentando que negociadores dos Estados Unidos e do Catar elaboraram o acordo com a ajuda do Irã. “Entendemos que, após a troca de tiros de hoje, Israel e o Hezbollah estão agora em cessar-fogo.”

Mais cedo nesta sexta, Israel afirmou ter atacado mais de oitenta alvos do Hezbollah no Líbano durante a madrugada e matado dezenas de seus membros em resposta ao que descreveu como “repetidas e flagrantes violações do cessar-fogo”.

“Durante a noite, as IDF (Forças de Defesa de Israel) atacaram mais de 80 centros de comando, terroristas, posições de lançamento e locais adicionais de infraestrutura terrorista na área de Nabatieh e áreas adicionais no sul do Líbano, dentro da Zona de Segurança e além”, disse um comunicado do exército.

Segundo os militares, “dezenas de terroristas do Hezbollah operando nos centros de comando foram eliminados.”

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Na quinta-feira, Israel anunciou a morte de quatro de seus soldados em combates no sul do Líbano. “Todo o Líbano deve queimar”, declarou o ministro israelense da Segurança Nacional, o ultradireitista Itamar Ben Gvir.

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Israel e Hezbollah travam a guerra atual desde o dia 2 de março, quando o grupo armado disparou foguetes contra o território israelense em retaliação aos ataques contra o Irã. Pelo menos 3.711 libaneses foram mortos em decorrência da ofensiva, que destruiu grande parte do sul do Líbano e continuou mesmo com a negociação de uma trégua, que ficou só no papel. E apesar do anúncio do novo cessar-fogo, Israel já afirmou que seguirá “indefinidamente” nas áreas ocupadas por seu Exército, o que pode representar um sério obstáculo à estabilidade do Oriente Médio.

Risco ao pacto entre Washington e Teerã

O acordo de paz assinado na quarta-feira 17 pelos Estados Unidos e o Irã exige o fim dos combates em todas as frentes, inclusive no Líbano, e que as partes garantam “a integridade territorial e a soberania” do país.

Apesar da trégua, Israel prosseguiu com os ataques contra o Hezbollah no Líbano. “A luta não terminou”, declarou na quinta-feira o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que não comentou diretamente o acordo, duramente criticado em Israel, inclusive dentro do governo. Também na quinta, um ataque israelense matou ao menos três libaneses.

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As ações de Bibi aumentaram o atrito do premiê com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem elevado o tom das críticas ao aliado em meio a temores de que o imbróglio de Beirute mele o tratado.

Em meio aos bombardeios contra o Líbano, a Suíça confirmou o adiamento das negociações previstas para esta sexta-feira entre Washington e Teerã para cristalizar o acordo. O governo iraniano já havia afirmado que responderá militarmente e forma “dura” a qualquer violação do que foi combinado.

“As conversações previstas entre Estados Unidos, Irã, (e os mediadores) Catar e Paquistão foram adiadas”, anunciou o Ministério das Relações Exteriores suíço em um comunicado, sem anunciar uma nova data.

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Após a assinatura do acordo, as discussões desta sexta tinham como objetivo iniciar as negociações detalhadas para encerrar o conflito iniciado em 28 de fevereiro com os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra a república islâmica. Espera-se que temas como a paralisação do programa nuclear iraniano e o alívio de sanções econômicas por parte dos americanos sejam abordados ao longo de um período de 60 dias, que pode ser estendido mediante “consentimento mútuo”.

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