Em pedido por domiciliar, defesa diz que Bolsonaro abre mão de arma apreendida
A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) informou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira (2/7), que ele abre mão da restituição da pistola apreendida com um agente do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e pediu a manutenção da prisão domiciliar.
Os advogados argumentam que as investigações da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e o parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) afastam qualquer hipótese de falta disciplinar capaz de alterar o regime de cumprimento da pena.
Na manifestação enviada ao ministro Alexandre de Moraes, a defesa afirma que Bolsonaro “não possui qualquer interesse na restituição do armamento apreendido”, posição que, segundo os advogados, já havia sido comunicada anteriormente e também foi registrada pela PGR.
Os defensores sustentam que o relatório da PCDF reforça a tese de que o ex-presidente não cometeu irregularidades relacionadas à arma. “As conclusões alcançadas pela autoridade policial convergem, em seus aspectos centrais, com as razões anteriormente submetidas pela Defesa”, afirmam.
A defesa também destacou que a retirada da arma da casa ocorreu por iniciativa exclusiva do agente do GSI Estácio Leite da Silva Filho, sem autorização ou determinação do ex-presidente.
Parecer da PGR
Os advogados ainda citaram o parecer do procurador-geral da República, Paulo Gonet, que se manifestou favoravelmente à manutenção da prisão domiciliar.
Segundo a defesa, a própria PGR reconheceu que as conclusões da Polícia Civil estão amparadas pelas provas reunidas durante a investigação e que não há elementos para atribuir a Bolsonaro falta disciplinar capaz de repercutir no regime de cumprimento da pena.
“Diante do exposto, (…) requer que seja definitivamente afastada qualquer cogitação de falta grave, com o regular prosseguimento da execução penal nos moldes atualmente aplicados”, pedem os advogados.
Embora tenha concordado com a conclusão da PCDF de que não há falta disciplinar atribuível ao ex-presidente, o procurador-geral afirmou que a condição jurídica de Bolsonaro é incompatível com a posse de arma de fogo.
O parecer foi solicitado por Alexandre de Moraes após a conclusão do inquérito da PCDF sobre o caso.
Investigação
A investigação foi aberta após a pistola registrada em nome de Bolsonaro ser encontrada com o agente do GSI Estácio Leite da Silva Filho durante uma blitz da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), em Taguatinga.
No relatório final, a Polícia Civil indiciou o agente por porte ilegal de arma de fogo, mas concluiu que não havia elementos para responsabilizar Bolsonaro por posse irregular.
Segundo Bolsonaro, o agente do GSI retirou a arma da casa para verificar um defeito no equipamento sem sua autorização, e ele só soube da retirada quando foi informado sobre a apreensão durante a blitz.