Início / Entenda por que corpo do pastor de MG morto em t…

Entenda por que corpo do pastor de MG morto em terremotos na Venezuela não foi repatriado em voo comercial

01 de Julho de 2026, 07:02 0 visualizações

Família de pastor de Uberlândia faz campanha para translado após morte na Venezuela Embora uma passagem aérea entre Caracas e Uberlândia, no Triângulo Mineiro, custe pouco mais de dois salários mínimos, o corpo do pastor Romildo Batista de Lima, de 69 anos, que morreu durante os terremotos na Venezuela, não pode ser trazido ao Brasil em um voo comercial. O transporte até Minas Gerais pode custar até R$ 50 mil. Isso acontece porque a repatriação de um corpo segue regras específicas e procedimentos diferentes dos adotados para o transporte de passageiros, o que torna o processo mais complexo e caro. ✅ Clique aqui e siga o perfil do g1 Triângulo no WhatsApp Segundo o Ministério das Relações Exteriores, o translado internacional de um corpo exige uma série de etapas, como a emissão de documentos consulares, autorizações sanitárias, embalsamamento e a contratação de um serviço funerário especializado. Na prática, o que parece ser apenas uma viagem de algumas horas se transforma em uma operação complexa e de alto custo. Em casos semelhantes, o transporte de corpos do exterior para o Brasil foi orçado entre R$ 30 mil e R$ 200 mil. O valor varia conforme a distância, a urgência e as exigências do país onde ocorreu a morte. No caso da Venezuela, a logística também foi afetada pela situação no país. Além da burocracia para a liberação do corpo, o aeroporto de Caracas ficou fechado em alguns períodos por questões de segurança nas operações aéreas. O Itamaraty informou que o registro consular de óbito é gratuito. No entanto, a legislação brasileira não prevê o pagamento de despesas com embalsamamento, cremação, sepultamento ou translado, salvo em situações excepcionais. Os custos são pagos pela família ou por redes de apoio que se mobilizam para viabilizar a repatriação. A seguir, veja como funciona o processo de translado de um corpo do exterior para o Brasil. Como funciona o registro de óbito de um brasileiro no exterior? 1. O óbito é registrado na embaixada ou consulado brasileiro O registro deve ser feito na representação brasileira responsável pelo país onde ocorreu a morte. A declaração deve ser feita, de preferência, por um familiar, como cônjuge, filho, irmão, mãe ou pai. Em alguns casos, um representante autorizado, como uma funerária, também pode realizar o procedimento. 2. É preciso apresentar documentos Entre os principais documentos exigidos estão: formulário de registro de óbito preenchido; certidão de óbito emitida pelas autoridades locais; documento de identidade brasileiro do falecido; documento de identidade do familiar ou representante que fizer a declaração. 3. O registro é gratuito A emissão da certidão consular de óbito não tem custo. 4. O documento precisa ser validado no Brasil Depois de ser emitida pela embaixada ou pelo consulado, a certidão deve ser transcrita em um cartório de registro civil no Brasil para ter validade legal. Como funciona o translado do corpo para o Brasil? romildo pastor uberlândia morte venezuela Reprodução/Redes Sociais Além do registro de óbito, também é necessário emitir e legalizar outros documentos, entre eles: autorização para o transporte internacional do corpo; certidão de óbito original; certificado de embalsamamento; atestado sanitário comprovando que a morte não foi causada por doença contagiosa. Em casos de doenças infectocontagiosas, o corpo deve ser transportado em uma urna metálica hermeticamente fechada. 🔎Os órgãos onde as certidões, certificados e atestados são emitidos variam conforme o país. Quem paga pelo translado? Segundo o Itamaraty, o governo brasileiro não custeia despesas como: embalsamamento; cremação; translado do corpo ou das cinzas para o Brasil; sepultamento no exterior. Em regra, esses custos são de responsabilidade da família ou de pessoas e instituições que decidam prestar apoio financeiro. LEIA TAMBÉM: ONG de Uberlândia arrecada doações para vítimas de terremoto na Venezuela; veja como ajudar Maior comunidade imigrante de Uberlândia, venezuelanos são cautelosos quanto a volta ao país Pastor que morreu durante os terremotos na Venezuela visitava família da esposa Família faz vaquinha para arcar com custos de translado Com o custo do translado estimado em cerca de R$ 50 mil, a família do pastor Romildo Batista de Lima iniciou uma vaquinha virtual para trazer o corpo de volta ao Brasil. A campanha foi criada depois que os familiares foram informados de que o corpo não poderia ser transportado em um voo comercial. Segundo apuração da TV Integração, a família chegou a conseguir um embarque para sábado (27). No entanto, após a liberação do corpo para a funerária, foi informada de que o estado de conservação não permitia o transporte em uma aeronave comercial. A morte do pastor foi confirmada pela esposa dele, Carlha Nacarid, que ficou ferida e segue internada na Venezuela. A informação foi repassada ao g1 pela sobrinha do casal, Jhulya Ribeiro de Lima. Segundo Carlha, quando o terremoto começou, na noite de quarta-feira (24), o casal correu para buscar abrigo. No entanto, uma parede caiu sobre os dois. Romildo foi socorrido e levado para um hospital, mas não resistiu aos ferimentos e morreu na madrugada de quinta-feira (25). De acordo com Jhulya, após vários contatos da família, a embaixada deu andamento aos trâmites para o retorno do corpo, incluindo a emissão da certidão de óbito. No entanto, diante da impossibilidade de transportar o corpo em um voo comercial, os parentes precisaram buscar outra alternativa para o translado internacional. A vaquinha foi criada para custear o transporte do corpo até o Brasil e permitir que Romildo seja velado e sepultado perto da família. A campanha continua sendo divulgada nas redes sociais pelos familiares. “Como os custos são muito altos, a vaquinha online vai tanto ajudar a custear o translado, como também ajudar a Carla, esposa do meu tio que segue internada”, contou Jhulya. Família enfrenta dificuldades para trazer corpo ao Brasil Romildo e Carlha Reprodução/Redes Sociais A família soube da morte de Romildo de forma inesperada. Depois de assistir a uma reportagem sobre o terremoto, os parentes tentaram entrar em contato com o casal na quinta-feira (25). Horas depois, Carlha conseguiu se comunicar e confirmou a morte do pastor. Desde então, os parentes enfrentam dificuldades para trazer o corpo ao Brasil. A expectativa é que ele chegue a Uberlândia nos próximos dias para ser velado e sepultado. “É muito desesperador porque queremos trazer meu tio, principalmente para fazer um velório digno para ele. Eles ficam jogando o contato um para o outro”, disse a sobrinha. ➡️ Na noite de quarta-feira (24), dois terremotos em sequência atingiram a região norte do país, onde fica Caracas. Além das mortes, os tremores derrubaram prédios e deixaram um rastro de destruição na capital venezuelana e arredores. Os sismos foram os mais fortes no país em mais de 100 anos. O governo venezuelano atualizou na segunda (29) o número de mortos para 1.719, além de 5.034 feridos e cerca de 50 mil desaparecidos. O governo brasileiro, por sua vez, confirmou a morte de dois brasileiros, sem divulgar as identidades, e informou estar prestando assistência consular às famílias. Romildo havia completado 69 anos no último dia 21 Reprodução/Redes Sociais Pastor visitava família da esposa em Caracas Quatro dias antes da tragédia, Romildo havia comemorado seu aniversário de 69 anos ao lado da esposa, durante a viagem a Caracas para visitar familiares dela. Natural de Chapada de Minas (MG), Romildo construiu a vida em Uberlândia, onde morava há mais de dez anos. Pastor evangélico, embora não estivesse em atuação atualmente, era lembrado pela família como um homem de fé, afetuoso e apaixonado por viajar. "Meu tio era uma pessoa muito boa, uma pessoa radiante, que adorava viajar e aproveitar a vida. É muito triste ver pessoas assim perderem a vida dessa forma, ainda mais com tal grau de descaso", lamentou Jhulya. Entenda terremoto na Venezuela Arte/g1 VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas
Tags: #G1

Veja Também

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar.

Deixe seu Comentário

Os comentários passam por moderação antes de serem publicados.