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Esqueça os seis dedos. Veja como identificar imagens feitas por IA

19 de Agosto de 2026, 10:58 7 visualizações
Esqueça os seis dedos. Veja como identificar imagens feitas por IA

Não faz muito tempo, reconhecer vídeos e fotos feitos por IA era questão de olhar com mais atenção. Dedos a mais, dentes estranhos, letras embaralhadas… Bingo! Conteúdo de IA!

Acontece que as IAs que geram imagem e vídeo ficaram muito melhores em corrigir justamente esse tipo de defeito.

Por isso, agora vale outra lógica: em vez de caçar imperfeições, investigar evidências que mostrem que uma imagem ou vídeo é suspeito. Dá mais trabalho? Um pouco. Mas evita que você passe nervoso nas redes sociais.

Reuni aqui algumas dicas.

1. Comece pela fonte, não pelos dedos

Recebeu uma imagem pelo WhatsApp ou encontrou um vídeo nas redes? Procure primeiro quem publicou aquilo originalmente. Veja se a conta realmente pertence à pessoa ou instituição indicada e tente chegar ao post inicial.

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2. Faça uma busca reversa

Salve a imagem, ou faça uma captura de tela, e pesquise no Google Lens. Mais do que encontrar fotografias parecidas, tente descobrir quando e em que contexto aquela imagem já apareceu.

O recurso “Sobre esta imagem”, do Google, também pode trazer informações sobre seu histórico na internet. Se uma foto apresentada como registro de um fato ocorrido hoje já circulava dois anos atrás, você encontrou o problema sem precisar saber se houve IA.

3. Procure avisos da própria plataforma

YouTube e TikTok identificam determinados conteúdos gerados ou significativamente alterados por inteligência artificial. Em alguns casos, o rótulo pode ser aplicado automaticamente.

4. Procure o “RG digital” da imagem

Alguns arquivos carregam Content Credentials, credenciais baseadas no padrão C2PA que podem registrar qual ferramenta criou ou modificou determinado conteúdo.

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O site Content Credentials Verify permite verificar se essas informações estão presentes. Mas, vale ressaltar: as credenciais podem desaparecer depois de edições, conversões ou processamento por outras plataformas. Então, não encontrar C2PA também não prova autenticidade.

5. Veja se existe uma marca invisível

Empresas também começaram a inserir marcas d’água que não aparecem para o usuário, mas podem ser detectadas por sistemas específicos.

O Google usa o SynthID em imagens, vídeos e áudios gerados por suas ferramentas, por exemplo. Em determinados casos, o Gemini consegue procurar essa marca.

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6. Em vídeos, pause e compare

Vídeos passam rápido demais para que pequenos defeitos sejam percebidos. Pause em diferentes momentos e observe detalhes que deveriam continuar iguais, como relógios, brincos, estampas, placas e objetos.

Se eles mudam de formato, desaparecem ou surgem durante a cena, existe motivo para investigar. Outra saída é capturar alguns quadros e pesquisá-los no Google Lens para descobrir se aquela imagem já circulava antes em outro contexto.

7. Confira se aquilo realmente aconteceu

Se o vídeo mostra uma pessoa conhecida, procure registros daquele evento. Se traz uma declaração surpreendente de um político, busque a fala completa, os canais oficiais, veículos jornalísticos e agências de checagem.

Pergunte onde e quando aquilo teria acontecido e se existem outros registros da mesma situação. Essa investigação continua funcionando mesmo quando a falsificação é visualmente impecável. E pode revelar outro problema comum, uma imagem verdadeira acompanhada de uma legenda falsa.

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8. Aí, sim, procure defeitos visuais mais óbvios

Dê zoom em mãos, dentes, cabelos, joias, óculos, sombras e reflexos. Observe objetos que parecem se fundir, elementos atravessando outros e detalhes estranhos em multidões, estampas ou cenários.

Essas pistas perderam força, mas ainda podem ajudar em alguns momentos.

9. Não trate detectores como verdade definitva

Sites que informam algo como “87% de chance de esta imagem ter sido criada por IA” podem ajudar, mas não deveriam encerrar a checagem.

Detectores tendem a funcionar pior diante de geradores novos ou diferentes daqueles usados em seu treinamento. Alterações simples no arquivo também podem atrapalhá-los. Portanto, use o resultado como mais uma evidência, nunca como laudo definitivo.

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Alvaro Leme é doutorando e mestre em Ciências da Comunicação pela ECA-USP, jornalista e criador do podcast educativo Aprenda

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