Europa sob calor histórico: França, Inglaterra e sul do continente enfrentam junho sufocante
Londres amanheceu sob um cenário que até poucos anos atrás parecia improvável. Às 11 horas da manhã, os termômetros já marcavam 30°C e continuavam subindo. Pela segunda vez na história, a capital britânica entrou em alerta vermelho para calor extremo, o nível máximo de risco emitido pelas autoridades. A expectativa é que este seja o dia mais quente já registrado em um mês de junho no Reino Unido.
Mas a Inglaterra está longe de ser um caso isolado. Uma poderosa massa de ar quente vinda do norte da África, aprisionada sobre a Europa por um bloqueio atmosférico conhecido como “Ômega”, desencadeou uma das mais intensas ondas de calor já registradas no continente para esta época do ano. Mais de 94 milhões de europeus enfrentam temperaturas acima de 35°C e cerca de 350 milhões convivem com máximas superiores a 30°C.
A França tornou-se o epicentro da crise climática. Em diversas regiões, os termômetros ultrapassaram os 40°C, enquanto dezenas de departamentos foram colocados em alerta vermelho. Em Pissos, no sudoeste francês, a temperatura chegou a 44,3°C, um dos maiores registros da história recente do país. O calor provocou fechamento de escolas, interrupções no transporte, restrições em eventos ao ar livre e até impactos no sistema energético.
Os efeitos humanos também são alarmantes. Autoridades francesas relataram dezenas de mortes relacionadas ao calor nos últimos dias, incluindo afogamentos de pessoas que buscavam alívio em rios, lagos e praias. A Torre Eiffel teve horários reduzidos de funcionamento e milhares de residências ficaram temporariamente sem energia em meio às temperaturas sufocantes.
Europa em alerta vermelho
No Reino Unido, o alerta vermelho emitido pela agência de saúde pública é considerado excepcional. A medida só havia sido adotada uma única vez antes, durante a histórica onda de calor de 2022. Desta vez, as autoridades alertam para riscos não apenas aos grupos vulneráveis, mas também à população em geral, além de possíveis impactos sobre transportes, abastecimento de água e fornecimento de energia.
O sul da Europa também enfrenta dias difíceis. Na Itália, cidades como Florença, Milão e Bolonha operam sob alertas máximos, enquanto a sensação térmica pode alcançar 45°C em algumas áreas costeiras. O Ministério da Saúde italiano ampliou os avisos de risco para diversas regiões do país.
Na Península Ibérica, Espanha e Portugal registram algumas das temperaturas mais elevadas do continente. Em áreas do interior, os termômetros se aproximaram dos 44°C, enquanto autoridades reforçam recomendações para evitar exposição ao sol e atividades físicas durante as horas mais quentes do dia.
A onda de calor também atinge Bélgica, Alemanha, Suíça e Países Baixos. Trilhos ferroviários sofrem deformações pelo calor, eventos esportivos foram adiados e trabalhadores têm enfrentado adaptações emergenciais de jornada. Em algumas cidades alemãs, as temperaturas chegaram perto dos 38°C, patamar incomum para o mês de junho.
Especialistas afirmam que a intensidade e a precocidade do fenômeno chamam atenção. Embora ondas de calor sejam comuns no verão europeu, episódios tão severos ainda em junho tornam-se cada vez mais frequentes em um continente que aquece mais rapidamente do que a média global. O que antes era considerado excepcional começa, aos poucos, a se transformar em uma nova realidade para milhões de europeus.