‘Ex-bolsonarista’ escapa de processo por difamação após se retratar com Moraes
O ministro Nunes Marques, do STF, extinguiu a punibilidade do deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) pelo crime de difamação contra o também ministro Alexandre de Moraes.
A medida ocorreu após Otoni fazer duas retratações públicas a Moraes, depois de chamá-lo de “lixo”, “canalha”, “vergonha”, “esgoto” e “déspota”, entre outros xingamentos, em transmissões ao vivo em redes sociais.
O deputado, contudo, segue réu por outros dois crimes relacionados ao mesmo episódio: injúria e coação no curso do processo.
Otoni realizou duas retratações a Moraes, a primeira ainda em 2020, pouco depois dos xingamentos, e a segunda em 2025, quando já era réu.
“Eu quero, nesse momento, com a alma cheia de paz no coração, entendendo que este foi o momento que eu desejo apagar da história da minha vida, eu gostaria de me dirigir ao ministro Alexandre de Moraes e pedir desculpas, perdão, por este comportamento”, declarou o parlamentar, em vídeo, no ano passado.
A PGR destacou que a retratação, antes da sentença, permite o fim da punibilidade para os crimes de calúnia e difamação. Nunes Marques concordou com esse argumento.
O ministro ressaltou, contudo, que isso não se aplica aos outros dois crimes imputados a Otoni, e por isso a ação penal vai prosseguir.
Otoni era aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e chegou a ser um dos vice-líderes do governo dele na Câmara dos Deputados. Nos últimos anos, no entanto, se afastou e passou a fazer críticas a Bolsonaro.