Exclusivo: Globo analisa concorrência com Cazé TV e SBT na Copa do Mundo
Por décadas, assistir a grandes eventos esportivos seguia um ritual relativamente rígido. Quando o assunto era Copa do Mundo, a situação ficava ainda mais restrita. Durante anos, a Globo se impôs como a emissora oficial do campeonato — com direito amplo sob o torneio no Brasil. Hoje, esse modelo ficou tão datado quanto uma bola de couro.
Com a recente revolução do streaming, o futebol deixou de ser uma experiência fechada na sala de casa e se transformou em um conteúdo móvel, que acompanha o torcedor onde ele estiver através da internet. Somada a essa mudança, a antes soberana Globo abriu mão da exclusividade e de metade dos jogos da Copa de 2026, fazendo com que parte do público migrasse para o SBT e para a CazéTV, no YouTube.
Em entrevista exclusiva para reportagem de VEJA, o diretor financeiro e de produtos digitais da emissora, Manuel Belmar, analisou a concorrência atual e o poder da tv aberta na transmissão do maior torneio esportivo do mundo. Confira a seguir:
Essa é a primeira Copa do Mudo em que o grupo Globo não exibe todos os jogos. Como a emissora vê essa competição com Cazé TV e SBT? A verdade é que a Globo sempre conviveu em um ambiente de forte concorrência. Primeiro na TV aberta, depois na TV por assinatura e, agora, também no digital. Inclusive em Copas passadas, onde sempre dividimos a exibição com outros players. O que mudou foi a dinâmica das transmissões esportivas.
Desde que a Copa começou, há críticas sobre a ausência de jogos importantes na emissora, como a estreia da Alemanha. Como enxerga essa situação? Hoje, o grande desafio é combinar duas realidades: a escalada dos custos de direitos e a estratégia para capturar a atenção do torcedor, que está fragmentada entre tantas ofertas. Uma fragmentação que é realidade não só no Brasil. A discussão é bem mais ampla do que apenas ter o direito de exibir as partidas. É sobre o que você faz com isso, porque o investimento não termina na compra dos direitos. Ele só começa ali.

E quais são os outros investimentos? Na Globo, a gente trabalha para entregar a melhor experiência para as pessoas. Investe em qualidade técnica, em equipes, em criatividade, em tecnologia, em inovação e em distribuição.Toda a jornada é importante e conecta o esporte à cultura e à vida das pessoas. Isso amplia a conversa, inclui novos públicos e gera mais valor para a modalidade, aumentando a relevância do evento e impactando o esporte como indústria.
A TV aberta segue tendo um peso grande para o futebol. Como a emissora vê os resultados desse começo de Copa do Mundo? As primeiras semanas consolidaram a TV aberta como a principal vitrine para a Copa. Segundo o IBOPE, as 20 maiores audiências da Copa até agora são da TV aberta. Mesmo com metade dos jogos, a TV aberta já alcançou 90% de todo o público que acompanha a competição. Mais de 41 milhões de pessoas assistiram a jogos somente na Globo, não tiveram contato com nenhuma outra transmissão. Ao mesmo tempo, a gente percebe que parte do público que costumava acompanhar a Copa em edições anteriores não está sendo alcançada pelos jogos exibidos apenas no streaming. Isso acontece porque a TV aberta, em especial a Globo, fala com muita gente.
Pode explicar melhor? Claro. A Copa não está só na transmissão do jogo. Ela aparece nos telejornais, nos programas de entretenimento, nas redes sociais, em toda a programação. E impacta até pessoas que nem estavam planejando assistir à Copa. Essa capacidade de capturar atenção e transformar um evento em assunto do dia é um ativo muito próprio da Globo. A Copa não é a primeira competição em que a gente percebe este mesmo movimento. Talvez essa seja a confusão mais comum: confundir comunicação de massa com soma de nichos. A TV tem um lugar muito importante nos momentos em que o país está atento ao mesmo assunto. Ela continua alcançando praticamente todos os brasileiros, com qualidade editorial, ambiente seguro e capacidade comprovada de gerar atenção e impacto em escala.