Falta de professores deixa alunos sem aulas em escolas e CMEIs de Teresina: 'só dois dias por semana', diz pai
21 de Junho de 2026, 19:01
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Creche em Teresina Prefeitura de Teresina A falta de professores em escolas e Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) de Teresina tem deixado alunos sem aulas ao longo da semana. O problema, denunciado por pais, responsáveis e pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Teresina (SINDSERM), é reconhecido pelo secretário municipal de Educação, Ismael Silva. ✅ Siga o canal do g1 Piauí no WhatsApp Ao g1, o secretário afirmou que convocou todos os professores do 1º ciclo (polivalência) aprovados no concurso da Prefeitura de Teresina, incluindo os do cadastro de reserva. Segundo ele, muitos profissionais têm demorado a se apresentar à secretaria. "Quero acreditar que ainda estão organizando a parte documental. Infelizmente, temos que nos submeter ao prazo que a legislação estabelece de 30 dias para o candidato tomar posse e 30 dias para entrar em efetivo exercício", explicou o secretário. Agora no g1 Aula no máximo dois dias por semana O pai de uma aluna do 3º ano da Escola Municipal Simões Filho, na Zona Sul de Teresina, afirma que a filha está sem aulas de Português, História, Geografia e Ciências há cerca de dois meses. Segundo ele, a estudante vai à escola no máximo dois dias por semana. Ele relata que a professora das disciplinas foi transferida para turmas do 5º ano, após a antiga docente dessas classes assumir como vice-diretora. Desde então, a vaga não foi preenchida. A direção não informou prazo para substituição. "Tava tudo normal, mas eles ficaram sem essa professora há uns dois meses e até agora não foi substituída. Hoje mesmo minha filha está em casa pois não teve aula dessas disciplinas, e há dias em que é liberada 9h. Nós não sabemos o que fazer", lamentou. "Minha filha é uma boa estudante e está preocupada, pois não sabemos quando haverá avaliações dessas disciplinas. A diretoria diz que busca um professor, mas não dá prazo", completou. A mãe de uma criança do Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) Emerson de Jesus Silva, na Zona Sudeste, disse que a turma ficou um mês com aulas apenas dois dias por semana após a saída da professora de Português. Segundo ela, uma substituta chegou na quinta-feira (18). "Mas as crianças ficaram mais de um mês sem aulas da disciplina", disse a mãe. O secretário informou que pediu ao prefeito nova convocação de professores do 2º ciclo, do 6º ao 9º ano. Sindicato recebe denúncias O Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Teresina (SINDSERM) informou que recebe denúncias frequentes sobre falta de professores na rede municipal. Segundo o sindicato, a situação compromete o direito à educação de alunos e aumenta a sobrecarga dos professores em atividade. O sindicato identificou falta de professores em cinco unidades: Antônio Ferraz, Simões Filho, Ana Vitória Carvalho Santos, Delfina Borralho Boa Vista e o CMEI Emerson de Jesus Silva. O problema também foi constatado na Escola Municipal Delfina Borralho Boa Vista, na Zona Leste. Uma turma do 2º ano está sem professora desde 22 de abril. A unidade também enfrenta falta de professores de Português no ensino fundamental e de docentes de Português, Ciências e História na Educação de Jovens e Adultos (EJA). Para o sindicato, as convocações feitas pela prefeitura não são suficientes para resolver o problema. No Diário Oficial de 15 de maio, a prefeitura convocou 83 professores substitutos. Em 21 de maio, convocou mais 18 para o 1º ao 5º ano e 20 para o 6º ao 9º. Apesar do número, o sindicato avalia que a medida apenas ameniza a crise e não resolve a causa principal. “O que estamos vendo é uma tentativa de tapar buracos com contratos temporários. A rede municipal precisa de professores efetivos”, afirma Cleide Leão, da diretoria colegiada do SINDSERM. “Os estudantes precisam de continuidade pedagógica, e os profissionais precisam de valorização e estabilidade. Não existe educação de qualidade construída sobre vínculos precários”, completou Cleide Leão. Cleide afirma que os substitutos têm contratos precários, não integram o Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) e são vinculados ao Regime Geral de Previdência Social. “Além disso, esses profissionais enfrentam dificuldades de acesso à formação continuada”, explica. Para a entidade, um novo concurso público é a única solução para enfrentar o déficit de professores. A medida, ainda segundo o sindicato, ampliaria o quadro de servidores, reduziria a sobrecarga e fortaleceria a educação pública. “A gestão municipal precisa assumir o compromisso com uma educação pública de qualidade. E isso passa, necessariamente, pela realização de concurso público e pela valorização dos profissionais da educação”, conclui a coordenadora. *Vitória Bacelar, estagiária sob supervisão de Lucas Marreiros. VÍDEOS: assista aos vídeos mais vistos da Rede Clube
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