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Fifa quer vender ‘ações da Copa do Mundo’ e Europa ameaça boicote

30 de Julho de 2026, 18:52 7 visualizações
Fifa quer vender ‘ações da Copa do Mundo’ e Europa ameaça boicote
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As 55 federações nacionais ligadas à Uefa decidiram boicotar as competições da Fifa, incluindo a Copa do Mundo, caso a entidade avance com o plano de vender a investidores privados uma participação nos negócios comerciais de seus torneios.

A decisão foi tomada nesta quinta-feira, 30, durante uma reunião de emergência. Na prática, o boicote não começou, trata-se de uma medida condicionada à continuidade do projeto apresentado pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino.

A proposta tem sido descrita como uma venda de “ações da Copa do Mundo”, mas a operação seria um pouco diferente. A Fifa pretende criar uma empresa chamada Fifa Forward Enterprise (FFE), que concentraria os direitos comerciais e as operações de eventos da Copa e de outras competições organizadas pela entidade.

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Avaliada inicialmente em 20 bilhões de dólares, cerca de 102 bilhões de reais, a empresa poderia ter até 20% de seu capital vendido a investidores externos. A Fifa espera levantar até 4,2 bilhões de dólares, aproximadamente 21,5 bilhões de reais, com a operação.

O que os investidores comprariam

A nova empresa ficaria responsável por áreas como direitos de transmissão, patrocínios, licenciamentos e operações comerciais dos torneios.

Os investidores não comprariam uma participação na própria Fifa nem teriam poder sobre regras, calendários, formatos das competições ou decisões esportivas. Segundo a entidade, as ações oferecidas seriam minoritárias e não dariam controle sobre a companhia.

A Fifa continuaria como dona de pelo menos 80% da FFE e manteria autoridade exclusiva sobre a organização do futebol. A entrada de capital privado, no entanto, daria aos investidores participação nos resultados comerciais gerados pela nova empresa.

O grupo que deve liderar os potenciais compradores é a Thrive Eternal, veículo de investimento criado por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente americano Donald Trump. A Fifa também trabalha com o JPMorgan na busca por investidores.

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A operação ainda depende do apoio da maioria das 211 federações filiadas à Fifa e de aprovações do Conselho da entidade.

Por que a Fifa quer vender a participação

A Fifa afirma que pretende usar o dinheiro para ampliar os investimentos no futebol mundial. O plano prevê oferecer a cada uma das 211 federações nacionais acesso a até 20 milhões de dólares, ou cerca de 102 milhões de reais, para projetos específicos.

Os recursos poderiam financiar infraestrutura, formação de treinadores, seleções nacionais, competições locais, categorias de base e futebol feminino.

A entidade sustenta que todos os benefícios líquidos da FFE seriam reinvestidos no esporte. Infantino classificou a proposta como uma forma de “democratização do futebol” e afirmou que a entrada de investidores não modificaria o controle da Fifa sobre as competições.

Após as primeiras reações negativas, o dirigente disse que o projeto é uma proposta, e não uma obrigação, e que será submetido às federações.

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Por que a Europa ameaça boicotar

A Uefa argumenta que a entrada de acionistas criaria pressão para que as competições priorizassem o retorno financeiro dos investidores. A entidade também criticou a falta de consulta prévia às confederações e federações nacionais.

“A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento”, afirmaram a Uefa e suas 55 associadas em comunicado conjunto. O texto sustenta que nenhuma parte dos torneios deveria ser entregue a investidores privados.

A resistência não está limitada à Europa. As confederações da Ásia e da América do Norte, Central e Caribe afirmaram que foram surpreendidas pelo anúncio e que souberam da proposta por meio da imprensa. A Confederação Africana deve discutir o projeto em reunião própria.

A Uefa declarou que suas seleções não participarão de competições organizadas pela Fifa enquanto o plano permanecer em andamento. A posição inclui torneios masculinos, femininos e de categorias de base.

O primeiro grande evento potencialmente atingido seria a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil. Caso o impasse continue, o boicote também poderá alcançar a Copa masculina de 2030, marcada para Espanha, Portugal e Marrocos, com partidas comemorativas na América do Sul. A Fifa ainda não definiu a data da votação sobre a criação da FFE.

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