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Fifa rejeita o recurso da Bélgica para o caso Balogun, considerando-o ‘inadmissível’

06 de Julho de 2026, 18:40 4 visualizações
Fifa rejeita o recurso da Bélgica para o caso Balogun, considerando-o ‘inadmissível’

O Comitê de Apelação da Fifa rejeitou, na segunda-feira, 6, o recurso da Bélgica contra a readmissão do atacante americano Folarin Balogun, que havia sido expulso na fase de 16 avos de final da Copa do Mundo, mas foi autorizado a jogar contra a seleção belga.

A poucas horas do aguardado confronto eliminatório pelas oitavas de final da Copa do Mundo, os bastidores do torneio atingiram a temperatura máxima. O Comitê de Apelação da Fifa rejeitou formalmente a contestação apresentada pela Federação Real Belga de Futebol (RBFA) contra a elegibilidade do atacante americano Folarin Balogun, sacramentando a presença do artilheiro no jogo desta segunda-feira, 6.

A moção belga tentava anular a inédita e controversa suspensão do gancho automático de Balogun. No entanto, a entidade máxima do futebol utilizou uma barreira jurídica estrita para sepultar a queixa sem sequer julgar o mérito da questão.

A Fifa declarou o pedido da Bélgica como “inadmissível”. A justificativa oficial é que a federação belga não é parte integrante do processo disciplinar original (que envolve apenas o atleta, a federação dos EUA e a arbitragem da partida anterior). Por não ser uma face afetada diretamente na ação inicial, a Bélgica não tem o direito legal de apelar.

Indignada com a decisão, a RBFA comunicou que disputará a partida em Seattle “sob protesto”. Os belgas não descartam acionar instâncias independentes, como o Tribunal Arbitral do Desporto (TAS), após o término do confronto para pleitear indenizações financeiras caso sejam eliminados.

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O imbróglio teve início na vitória dos Estados Unidos por 2 a 0 sobre a Bósnia e Herzegovina, válida pela fase de 16 avos de final. Na ocasião, Balogun foi expulso direto pelo árbitro brasileiro Raphael Claus após revisão no VAR por um pisão acidental no tornozelo de Tarik Muharemović.

O regulamento geral da Copa do Mundo prevê gancho automático para o jogo seguinte (Artigo 10.5). Contudo, a Fifa operou uma manobra jurídica raríssima ao aplicar o Artigo 27 do seu Código Disciplinar. Sob o argumento de que a expulsão foi rigorosa demais, o comitê suspendeu a execução da punição automática, condicionando o jogador a um período probatório de um ano. Na prática, o cartão permaneceu no histórico, mas a suspensão foi “congelada”.

O técnico da Bélgica, Rudi Garcia, ironizou veementemente a flexibilização das regras pela entidade máxima do esporte. “Eu não sabia que nos escritórios da Fifa o dia 5 de julho virava 1º de abril na Europa”, disse ele. “A federação belga não está apenas defendendo a si mesma, está defendendo a integridade e a ética do futebol em geral. Acho que é a primeira vez na história da Copa do Mundo que há esse tipo de decisão.”

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Se o cenário técnico já era complexo, a geopolítica transformou o caso no maior escândalo do Mundial. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou publicamente nesta segunda-feira, direto do Salão Oval, que ligou pessoalmente para o presidente da Fifa, Gianni Infantino, cobrando uma revisão do lance.

Trump celebrou a liberação de Balogun na rede social Truth Social, agradecendo à Fifa por “corrigir uma grande injustiça”. Em declarações à imprensa, o mandatário americano subiu o tom. Trump chamou a atuação do árbitro Raphael Claus de “muito suspeita” e afirmou que a jogada não passou de um choque inevitável de velocidade entre dois atletas de elite. Fiel ao seu estilo, ele emendou uma provocação polêmica sobre o duelo contra os belgas: *”Se eles nos vencerem com os dois times completos, podem se orgulhar. Caso contrário, se nos vencessem sem o Balogun, eu diria que foi fraudado, exatamente como a eleição de 2020″*.

Pressionado pela repercussão da chamada presidencial, Gianni Infantino emitiu uma nota oficial de esclarecimento. O mandatário da Fifa garantiu que, embora tenha atendido ao telefonema de Trump, ressaltou ao presidente americano que os órgãos judiciais da entidade operam de maneira totalmente “independente e autônoma”.

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Fato é que, entre a pressão da Casa Branca e o regulamento flexibilizado da Fifa, Folarin Balogun — que já soma 3 gols nesta Copa do Mundo — vai a campo hoje à noite em Seattle. Caberá aos “Diabos Vermelhos” tentarem resolver a monumental injustiça institucional no único lugar onde a política de bastidores não deveria alcançar: as quatro linhas do gramado.

(Com AFP)

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