Flávio Bolsonaro diz ter pedido para participar de reunião de tarifas dos EUA contra Brasil
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou ter enviado ao governo dos Estados Unidos um pedido para participar da audiência pública que acontece em 6 de julho e que tem como objetivo avaliar a aplicação de sobretaxa de 25% a produtos brasileiros.
O anúncio foi feito na manhã desta terça-feira, 23, por meio das redes sociais do senador e presidenciável. Segundo a publicação, a intenção é “defender o Brasil da proposta de aplicação” da tarifa adicional.
“Vou defender os interesses do povo brasileiro! Vou fazer a minha parte para evitar que empresas brasileiras sejam ainda mais taxadas do que já são com o governo Lula”, escreveu Flávio.
“Como era de se esperar, Lula não move uma palha para evitar que elas sejam tarifadas. E a razão é muito simples: ele acredita que isso pode beneficiá-lo nas urnas em outubro, mesmo que isso custe quebrar as empresas brasileiras”, prosseguiu.
A audiência pública marcada para 6 de julho, em Washington, será realizada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), e deve debater a investigação da Seção 301 que apura a eventual aplicação de tarifas de 25% a produtos brasileiros.
‘Benefício’ a Lula
No documento enviado ao USTR, Flávio diz que pretende argumentar na audiência que as medidas comerciais propostas pelos Estados Unidos contra o Brasil acabariam beneficiando o governo brasileiro e, ao mesmo tempo, prejudicando exportadores brasileiros e consumidores americanos.
Ainda de acordo com o protocolo enviado, o depoimento — que deve durar cerca de cinco minutos — levará em consideração seis pontos levantados na investigação: comércio digital, tarifas, combate à corrupção, propriedade intelectual, etanol e desmatamento ilegal. Ele conclui a carta defendendo que sua participarão tratará da suspensão das medidas, em favor da “abertura de negociações bilaterais” entre os dois países, mantendo mecanismos de pressão e fiscalização durante o processo.
Vou defender os interesses do povo brasileiro!
Vou fazer a minha parte para evitar que empresas brasileiras sejam ainda mais taxadas do que já são com o governo lula.
Como era de se esperar, lula não move uma palha para evitar que elas sejam tarifadas.
E a razão é muito… https://t.co/nNnnpLCkqj
— Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) June 23, 2026
Investigação e processo
A investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos cita “políticas e práticas do Brasil relacionados ao comércio digital e serviços de pagamento eletrônico”, o Pix, além de “tarifas preferenciais desleais, aplicação de medidas anticorrupção, proteção da propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, e desmatamento ilegal”. O prazo para que sejam tomadas medidas corretivas expira em 15 de julho de 2026.
Antes da entrada em vigor do novo tarifaço proposto, o cronograma do governo americano prevê audiências e consultas públicas. Até a última segunda, 22 de junho de 2026: os interessados puderam enviar seus pedidos de comparecimento à audiência, juntamente com um resumo do depoimento; 1º de julho de 2026: Prazo para o envio de comentários por escrito sobre as medidas; 6 de julho de 2026: O USTR realizará uma audiência sobre a ação proposta; 15 de julho de 2026: Prazo final para a definição e aplicação das medidas corretivas contra o Brasil.