Geólogos obervam o surgimento de nascentes de água doce nas bordas do Mar Morto
Conhecido por ser extremamente salino — cerca de dez vezes mais salgado que os oceanos — e, por isso, praticamente sem peixes, plantas ou outros organismos visíveis, o Mar Morto vem recuando há décadas. Geólogos do Instituto Geológico de Israel (GSI) e do Centro de Pesquisa do Mar Morto e Aravá, que acompanham esse processo há anos, observam a multiplicação de nascentes de água doce ao longo de suas margens.
À medida que a linha de costa recua, aquíferos subterrâneos que antes permaneciam ocultos sob a superfície do lago ficam expostos e passam a brotar entre rochas e sedimentos. Essa água doce dissolve antigas camadas de sal soterradas, provocando o colapso do terreno e a formação de milhares de crateras, conhecidas como dolinas. Ou seja, ele não está perdendo sua alta salinidade; o recuo de suas águas apenas abriu espaço para o surgimento dessas nascentes.
O Mar Morto é um lago fechado, sem ligação com os oceanos. Durante séculos, o rio Jordão e outros cursos d’água compensaram parte da intensa evaporação provocada pelo clima quente e árido da região. Nas últimas décadas, porém, Israel, Jordânia e Síria passaram a desviar grande parte dessas águas para abastecimento urbano e, principalmente, irrigação agrícola. Com muito menos água chegando ao lago e a evaporação permanecendo intensa, o nível do Mar Morto entrou em um processo contínuo de queda.
Para alguns estudiosos da Bíblia, o surgimento dessas águas doces inevitavelmente remete a uma antiga profecia registrada em Ezequiel 47. O texto descreve um rio que brota do templo de Deus, desce pelo vale do Jordão e chega ao Mar Morto — chamado de “mar oriental”. Ao alcançar suas águas, elas se tornam saudáveis e passam a sustentar abundante vida.
O trecho mais conhecido diz: “Estas águas correm para a região oriental, descem ao Arabá e entram no mar; quando deságuam no mar, as suas águas ficam saudáveis. Toda criatura vivente que se mover por onde passar esse rio viverá; haverá muitíssimos peixes, porque essas águas ali chegam, e as águas do mar se tornarão saudáveis. Tudo viverá por onde passar esse rio.”
Embora a profecia fale de um rio capaz de devolver vida ao Mar Morto — algo que ainda não ocorreu — como expressão do poder divino, para a geologia o fenômeno é consequência direta da redução do nível do lago e da exposição de aquíferos subterrâneos. Ainda assim, o surgimento dessas nascentes mostra que a natureza continua respondendo às transformações impostas pelo homem, muitas vezes de maneiras inesperadas.