Giovanna Ewbank transforma a ‘crise dos 40’ em projeto profissional
A apresentadora e atriz Giovanna Ewbank acaba de lançar a websérie 40 perguntas para se fazer antes dos 40, projeto que celebra seus 20 anos de carreira e a chegada à nova década de vida. Com oito episódios publicados às segundas e quintas-feiras em suas redes sociais, sempre às 17h, a série propõe reflexões sobre maternidade, adoção, liberdade, dinheiro, empreendedorismo feminino, relacionamentos e legado. Em tom íntimo e honesto, Giovanna abre espaço para conversas sobre dúvidas, culpas e transformações que atravessam a vida de muitas mulheres. Em entrevista à coluna GENTE, ela fala como este é seu momento de maturidade pessoal e profissional, mais interessada em compartilhar verdades do que em manter a ideia de perfeição.
A websérie chega em um momento em que você está prestes a completar 40 anos. Por que esse tema faz sentido justamente agora na sua vida? A websérie chega num momento muito simbólico da minha vida. Estou prestes a fazer 40 anos e, pela primeira vez, senti vontade de olhar pra mim, sem esconder, sem medo do que vão pensar ou do que vai parecer. Tenho visto e sentido cada vez mais uma cobrança muito grande em cima das mulheres sobre tudo, a mulher é muito cobrada e julgada na sociedade. Todas.
Chegou a chamada “crise dos 40”? Esse projeto nasceu de uma inquietação pessoal. Comecei a perceber que muitas das angústias, dúvidas, culpas e transformações que estava vivendo também estavam presentes na vida de outras mulheres. Mesmo com histórias completamente diferentes, a gente compartilha medos parecidos. A websérie surgiu quase como uma roda de conversa, espaço de troca, escuta e vulnerabilidade. E faz sentido acontecer agora porque sinto que estou entrando numa fase mais inteira, mais consciente de quem sou e menos preocupada em performar perfeição.
Você comentou recentemente sobre a vontade de se mostrar “mais verdadeira e mais inteira”. Qual foi a pergunta que você mais se fez nessa chegada aos 40? “Quem sou eu hoje sem as versões que eu precisei criar para sobreviver?”. A verdade é que, ao longo da vida, a gente vai criando várias versões de nós mesmas sem perceber. A mulher forte, a mulher que dá conta de tudo, a mãe perfeita, a profissional perfeita… E chega uma hora em que você se olha e quer entender o que ainda é realmente seu ali no meio.
Qual foi a resposta que obteve? É que esse momento que estou vivendo me traz muito esse lugar de coragem. Coragem de olhar para as minhas fragilidades, minhas contradições, dores que escondi por muito tempo e também para as coisas lindas que construí. Nunca tive tanta vontade de ser tão verdadeira quanto agora. E curiosamente isso me faz sentir mais forte, não mais fraca.
Você já falou que não tinha o sonho de ser mãe biológica, algo que aconteceu bem depois. Como ressignificou a ideia da maternidade? Eu nunca tive aquele sonho romantizado da maternidade, seja biológica ou não. Não era uma coisa central na minha vida ou um plano desenhado desde pequena. E foi bonito perceber que a maternidade pode nascer em momentos e lugares diferentes. A chegada da Títi transformou completamente a minha vida e a minha forma de enxergar amor, família e pertencimento. Depois vieram Bless e Zyan, cada um me atravessando de uma maneira única, em momentos completamente diferentes da minha vida.
Como isso te transformou? Ser mãe me abriu para o mundo. Me deu um novo olhar. A maternidade me expandiu. Me deixou mais vulnerável, mais forte, mais humana e mais consciente também de mundo, das minhas falhas e potências. E acho bonito poder falar sobre isso de forma real, sem idealizar tanto. Porque maternar é aprender todos os dias.
Muitos dos seus projetos têm conexão muito forte com as redes sociais e plataformas digitais. O que mais te atrai nesse formato de comunicação? O que mais me atrai no mundo digital é justamente a possibilidade de troca real. Durante muito tempo a televisão colocava a gente num lugar mais distante. A internet aproximou. Gosto da possibilidade de conversar diretamente com as pessoas, de compartilhar processos, dúvidas, bastidores, vulnerabilidades, e receber isso de volta também. As pessoas hoje não se conectam mais com perfeição, elas se conectam com verdade. Meus projetos acabam ganhando força justamente quando tenho coragem de mostrar não só o resultado bonito, mas também os medos, erros, caos e transformações do caminho.
Entre maternidade, trabalho e exposição constante, o que você faz hoje para cuidar de si mesma? Hoje entendo que equilíbrio não é um lugar onde a gente chega. É uma construção diária. Tem dias em que me sinto super conectada comigo mesma e outros em que me sinto completamente sobrecarregada. O que mudou é que comecei a me ouvir mais. Terapia foi e continua sendo muito importante. Estar perto da natureza também me reorganiza emocionalmente de um jeito profundo. Minha família é meu grande lugar de força e de aterramento. E tenho tentado aprender uma coisa que parece simples, mas é muito difícil para muitas mulheres: entender que cuidar de mim não é egoísmo. Quando eu me cuido emocionalmente, fisicamente e mentalmente, consigo estar mais inteira para tudo e para todos ao meu redor.
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