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Governo Trump prevê impacto ‘devastador’ para o Canadá em guerra comercial

23 de Agosto de 2026, 14:42 2 visualizações
Governo Trump prevê impacto ‘devastador’ para o Canadá em guerra comercial
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O governo do presidente Donald Trump afirmou neste domingo, 23, que o Canadá sofrerá consequências “devastadoras” caso mantenha o confronto comercial com os Estados Unidos. A declaração ocorre após o fracasso das negociações entre os dois países e a entrada em vigor de tarifas americanas de 50% sobre parte das importações canadenses.

A nova cobrança atinge aproximadamente 28 bilhões de dólares canadenses, o equivalente a cerca de 20 bilhões de dólares americanos. O valor representa 5,5% das exportações do Canadá destinadas ao mercado dos Estados Unidos. As tarifas não alcançam, portanto, todos os produtos canadenses vendidos ao país.

Em resposta, o Canadá anunciou que aplicará tarifas equivalentes sobre mercadorias americanas. A retaliação está prevista para começar em 8 de setembro e deverá atingir setores como aço, laticínios, eletrodomésticos, equipamentos agrícolas, papel e eletrônicos.

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Casa Branca aposta na dependência canadense

O secretário dos Transportes dos Estados Unidos, Sean Duffy, disse à Fox News que o Canadá seria “insensato” se acreditasse que poderia vencer uma guerra comercial contra a maior economia do mundo.

Segundo ele, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, deverá voltar rapidamente à mesa de negociações porque o confronto teria consequências graves para seu país. Os Estados Unidos recebem cerca de 70% das exportações canadenses, o que torna Ottawa mais vulnerável a barreiras comerciais impostas por Washington.

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A proximidade entre as duas economias também significa, contudo, que empresas e consumidores americanos podem sentir os efeitos da disputa. As cadeias produtivas dos países são integradas, especialmente nos setores automotivo, siderúrgico, energético e agrícola.

Trump aumentou a pressão neste domingo em uma publicação na rede Truth Social. “O Canadá quer os benefícios de ser um estado, sem ser um”, escreveu. O presidente também acusou o vizinho de cobrar tarifas elevadas dos agricultores americanos.

Desde o início de seu segundo mandato, em janeiro de 2025, Trump tem repetido provocações sobre a possibilidade de transformar o Canadá no 51º estado americano.

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Por que os Estados Unidos impuseram as tarifas?

A Casa Branca acusa o Canadá de adotar práticas discriminatórias contra bebidas alcoólicas, laticínios, automóveis e autopeças produzidos nos Estados Unidos.

As tarifas foram estabelecidas com base em uma seção da Lei Tarifária americana de 1930 que permite ao presidente cobrar taxas de até 50% quando entender que outro país prejudica o comércio dos Estados Unidos.

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As cobranças estavam inicialmente previstas para começar em 19 de agosto, mas foram adiadas por três dias enquanto as negociações continuavam. Com o fracasso das conversas na sexta-feira, 21, entraram em vigor à meia-noite de sábado, 22, conforme uma proclamação da Casa Branca.

O representante comercial americano, Jamieson Greer, afirmou que Washington havia oferecido reduzir as tarifas sobre aço, alumínio e automóveis, além de retirar uma cobrança aplicada à madeira canadense. Segundo ele, a proposta daria ao Canadá condições mais favoráveis do que as concedidas a outros parceiros comerciais.

Canadá promete reação “dólar por dólar”

Carney suspendeu as negociações depois de considerar as novas exigências americanas injustas e economicamente inviáveis. “Eles pediram demais e ofereceram muito pouco”, afirmou o primeiro-ministro no sábado, 22.

O governo canadense diz que os Estados Unidos tentaram impor restrições à capacidade de Ottawa de firmar acordos comerciais com outros países e apresentaram exigências que ameaçariam a proteção da língua francesa e da cultura de Quebec.

Em pronunciamento oficial, Carney afirmou que seu governo estava disposto a retirar tarifas retaliatórias sobre setores estratégicos caso Washington reduzisse suas cobranças sobre aço, alumínio e automóveis. O acordo, porém, não avançou.

O Canadá promete responder às novas taxas “dólar por dólar” e preparar medidas de apoio às empresas e aos trabalhadores afetados. O governo canadense afirma já ter destinado quase 25 bilhões de dólares canadenses para reduzir os impactos da disputa comercial nos últimos dezoito meses.

O representante comercial americano declarou que, por enquanto, não estão previstas novas negociações entre Washington e Ottawa.

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