Haaland x defesa do Brasil: os números que preocupam Ancelotti
Erling Haaland não precisa participar muito do jogo para decidir uma partida. Essa talvez seja a característica mais inquietante para Carlo Ancelotti ao imaginar um encontro entre o centroavante norueguês e a defesa brasileira. Nas Eliminatórias Europeias para a Copa do Mundo de 2026, o atacante marcou 16 gols em oito partidas, média de dois por jogo, e balançou as redes em todas as rodadas disputadas. Foram ainda 40 finalizações, cinco por confronto, além de três assistências.
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Os números pela seleção tornam o alerta ainda mais claro. Antes de completar 26 anos, Haaland já superou a marca de um gol por partida com a camisa da Noruega. Em sua primeira Copa do Mundo, chegou a 60 gols em 53 jogos internacionais.
A defesa brasileira, por sua vez, apresenta sinais contraditórios. A equipe de Ancelotti passou sem sofrer gols contra Haiti e Escócia na fase de grupos do Mundial e alcançou, diante dos escoceses, a marca histórica de 50 partidas sem ser vazada em Copas. Contra o Japão, porém, voltou a sofrer: saiu atrás e precisou buscar uma vitória por 2 a 1 nos minutos finais. O episódio mostrou que o sistema defensivo brasileiro pode ser sólido quando controla a posse, mas se torna vulnerável quando é obrigado a correr em direção ao próprio gol.
É justamente nesse tipo de situação que Haaland costuma destruir adversários. Com 1,95 metro, velocidade registrada próxima de 35 quilômetros por hora e extraordinária capacidade de atacar o espaço entre zagueiro e lateral, o norueguês exige uma atenção que não pode depender apenas do duelo físico. O problema começa antes: na pressão sobre quem faz o passe. Com Martin Ødegaard organizando as jogadas, a Noruega encontrou nas eliminatórias uma combinação entre visão de jogo e profundidade. Contra a Itália, por exemplo, Haaland recebeu do meia após um passe que rompeu a última linha defensiva.
Para Ancelotti, a preocupação principal está na distância entre os setores. Quando os laterais avançam simultaneamente e o meio-campo perde a primeira disputa, os zagueiros brasileiros ficam expostos a corridas longas e confrontos em campo aberto. Marquinhos oferece leitura e experiência, mas nenhum defensor se sente confortável recuando diante de um atacante que combina força, aceleração e finalização de primeira. A solução, portanto, não seria apenas escolher quem marcaria Haaland, mas impedir que ele recebesse em condições de usar essas virtudes.
Há também um fator psicológico. Haaland pode permanecer discreto durante boa parte da partida e, ainda assim, aparecer duas vezes para alterar o placar. Contra Senegal, marcou dois gols em um intervalo de dez minutos. Nas eliminatórias, fez cinco diante da Moldávia e três contra Israel. A margem para erro contra ele é mínima e o desafio de Ancelotti será construir uma defesa menos dependente de intervenções individuais e mais eficiente na proteção coletiva da área.