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Haxixe era “Iphone” em esquema que envolvia alvo de sanção dos EUA

04 de Julho de 2026, 05:30 0 visualizações

Ygor Fokin Saviolli e Gabriel Innocente, dois dos alvos da Operação Exchange, deflagrada nessa sexta-feira (3/7) pela Polícia Federal (PF) contra o braço financeiro do Primeiro Comando da Capital (PCC), tinham papel de destaque no bilionário esquema de lavagem de dinheiro do narcotráfico. Responsáveis por comandar a negociação e a distribuição de drogas, eles utilizavam, segundo as investigações, o termo “iPhone” como codinome para o haxixe em conversas por aplicativos criptografados.

Decisão da Justiça Federal obtida pelo Metrópoles revela que o grupo utilizava empresas de fachada para ocultar o dinheiro do tráfico internacional e movimentou mais de R$ 10,3 bilhões. Ygor Saviolli é apontado, junto com Victor Henrique de Oliveira Shimada, como líder e coordenador logístico do esquema. Já Innocente negociava a venda de entorpecentes, especialmente haxixe.

Shimada é sócio da Victory, empresa investigada por participação no escândalo que envolve o Corinthians e a casa de apostas Vai de Bet. Ele é um dos dois brasileiros sancionados pelo Departamento do Tesouro dos EUA por suposta ligação com o PCC. Para o governo americano, ele é um “elo fundamental” com agentes da facção criminosa e teria lavado mais de US$ 30 milhões em diversas cidades dos Estados Unidos.

Parente de Shimada e apontada como “intermediária para a coleta de grandes quantias em dinheiro” para o PCC, Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira é a outra brasileira sancionada pelos EUA. Responsável por “serviços logísticos essenciais” para a rede de lavagem de dinheiro, ela foi presa pela PF nessa sexta-feira.

Linguagem cifrada em apps de conversa

Como coordenava a distribuição de drogas, Ygor Saviolli tinha contato estreito com Gabriel Innocente, por sua vez apontado como negociador e intermediador de pagamentos do tráfico. Para dificultar o trabalho das autoridades, os investigados utilizavam linguagem cifrada em aplicativos de conversas.

Entre os códigos identificados pela Polícia Federal está o termo “iPhone”, utilizado para se referir ao haxixe. Já expressões como “flor” indicavam maconha de alta qualidade, enquanto “ice” fazia referência ao haxixe produzido com água gelada.

As conversas interceptadas mostram que os investigados negociavam com fornecedores internacionais o envio das drogas ao Brasil pelos Correios. Um dos principais mercados visados era o Rio de Janeiro. Em mensagens analisadas pela PF, Gabriel afirma que o haxixe poderia ser vendido por até R$ 150 o grama na capital fluminense, onde, segundo ele, a procura pelo produto era elevada.

A decisão também aponta que os investigados discutiam rotas de envio, pagamentos internacionais e estratégias para fazer a droga chegar ao país sem levantar suspeitas. Em uma das conversas, Gabriel comenta que os compradores do Rio de Janeiro “iriam disputar” o produto caso a remessa fosse concluída.

O dinheiro do tráfico era direcionado para contas de empresas de fachada, como a HI Quality Importação Comércio e Distribuição Ltda.. De acordo com a PF, a empresa era usada para receber depósitos de origem ilícita e dar aparência de legalidade aos recursos obtidos com o tráfico de drogas. Para os investigadores, a estrutura empresarial servia como peça central do esquema financeiro da organização criminosa.

A defesa de Victor Shimada informou que ainda não teve acesso às decisões judiciais. “Tão logo tenha acesso aos autos e às informações oficiais, a defesa realizará a análise técnica do caso e adotará as medidas jurídicas que entender cabíveis”, afirma o advogado Yuri Cruz.

O Metrópoles busca as defesas de Ygor Saviolli, Gabriel Innocente e Stella Stefanie de Oliveira. O espaço está aberto para manifestações.

Sanções do governo dos EUA

As sanções aplicadas na quarta-feira pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos incluem, além de Victor Shimada e Stella de Oliveira, três empresas brasileiras e uma empresa portuguesa supostamente ligadas ao PCC.

Com a decisão, todos os bens e ativos pertencentes aos alvos no país ficam bloqueados, e cidadãos e empresas norte-americanas ficam proibidos de fazer negócios com eles. Caso instituições financeiras estrangeiras continuem a realizar transações com os alvos, ficam sujeitas a sanções secundárias.


Empresas sancionadas

  •  Victory Trading Intermediação de Negócios Cobranças e Tecnologia Ltda.
  • Pixwave Soluções de Pagamentos Ltda.
  • Wave Construções Inteligentes Ltda. e Avenidas Flutuantes Unipessoal Ltda. (Portugal)

Principal autoridade do Ministério Público de São Paulo (MPSP) nas investigações sobre o PCC, o promotor Lincoln Gakiya descartou que o órgão tenha informações que relacionem o empresário Victor Shimada à facção criminosa.

“No caso do Ministério Público de São Paulo, a gente não tem qualquer informação ligando esses dois indivíduos [além de Shimada, Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, presa nessa sexta-feira] ao PCC”, afirmou Gakiya.

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