Ibovespa aprofunda perdas em meio à trégua iminente entre EUA e Irã
O índice Ibovespa, principal indicador do mercado financeiro, opera em baixa de 0,59% por volta das 11h30, aos 169.402 pontos. O mercado de renda variável, com isso, aprofunda perdas observadas recentemente. O índice da B3, a bolsa brasileira, já havia caído 0,42% na segunda-feira, 15, dia seguinte ao anúncio de uma trégua iminente entre Estados Unidos e Irã. Os dois países teriam assinado um pré-acordo de cessar-fogo digitalmente, com cerimônia para assinatura presencial marcada para sexta-feira 19, na Suíça.
Entre os principais destaques negativos desta semana está a Petrobras, que acumula baixa de 5,87% desde o fim de semana. O movimento está ligado ao preço do petróleo, que recua 3,98% por volta das 11h30, cotado a 79,90 dólares por barril. O dólar opera em alta de 0,77%, cotado a 5,12 reais.
Os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo para interromper a ofensiva militar no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz, segundo anúncio feito pelo Paquistão, país que intermediou as negociações. O acordo promete algum alívio para o comércio internacional, que tem o Golfo Pérsico como rota estratégica. Cerca de 20% de todo o petróleo consumido no mundo passa por Ormuz.
Semana de “superquarta”
A notícia sobre o acordo entre EUA e Irã chegou em uma semana decisiva para a política monetária global. O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) vai decidir sobre a manutenção de sua taxa de juros na quarta-feira, 17, mesmo dia em que o Banco Central do Brasil apita sobre os rumos da Selic. A combinação das duas decisões em uma única quarta-feira é o que o mercado financeiro brasileiro chama de “superquarta”. Até antes do anúncio do acordo de paz no Oriente Médio, o mercado apostava em um corte de 0,25 ponto percentual na taxa de juros do Brasil, mas também considerava a possibilidade de manutenção.
Apesar das boas notícias vindas do exterior, ainda resta saber qual será o seu reflexo na economia real. O cenário brasileiro vinha piorando nas últimas semanas. O Boletim Focus divulgado na segunda-feira 15 — que, portanto, não considera o acordo entre EUA e Irã — piorou as expectativas de inflação e juros. Os agentes de mercado consultados pela pesquisa apostam em uma inflação de 5,3% ao final do ano, ou seja, bem acima do teto da meta do Banco Central, fixado em 4,5%. A Selic deve encerrar 2026 em 13,75%, segundo o Focus.