Ibovespa cai 1,24% após tarifaço dos EUA ampliar aversão ao risco no mercado
O Ibovespa encerrou o pregão desta quinta-feira, 17, em queda de 1,24%, aos 173 825 pontos, refletindo o aumento da aversão ao risco após a confirmação das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros. O movimento foi acompanhado pela valorização do dólar frente ao real e por um forte ajuste nas ações de empresas ligadas às exportações.
O mercado repercutiu a decisão do governo americano de aplicar uma sobretaxa de 25% sobre uma parcela das importações brasileiras, medida que elevou as preocupações sobre os impactos para a balança comercial, a atividade econômica e os resultados de companhias com forte exposição ao mercado norte-americano.
Segundo Rebecca Nossig, analista de investimentos da Nomad, o pregão foi dominado pela busca por ativos considerados mais seguros. “O pregão desta quinta-feira foi marcado por uma forte aversão ao risco no mercado financeiro brasileiro, impulsionada pela confirmação das novas sobretaxas dos Estados Unidos contra produtos nacionais. Esse ambiente de instabilidade comercial e diplomática gerou um movimento claro de busca por proteção no câmbio, sustentando a alta do dólar ao longo do dia”, afirma.
No mercado cambial, a moeda americana ganhou força ao longo da sessão e voltou a operar acima dos 5,10 reais. Para o especialista, o movimento reflete o aumento do prêmio de risco exigido pelos investidores diante da escalada das tensões comerciais entre os dois países. “O comportamento do dólar reflete diretamente o prêmio de risco cobrado pelos agentes financeiros em meio ao atrito com Washington. A corrida para a segurança da moeda americana evidencia não apenas o peso financeiro da medida, mas também o receio de uma guerra comercial mais ampla, agravado pelas indicações de que o governo brasileiro pretende responder às tarifas”, destaca.
Na Bolsa, o clima de cautela observado pela manhã deu lugar a um movimento mais intenso de vendas ao longo da tarde. Empresas ligadas à indústria, ao agronegócio e às commodities estiveram entre as mais pressionadas, diante das perspectivas de redução das exportações para os Estados Unidos.
Além do cenário externo, indicadores domésticos também contribuíram para o mau humor dos investidores. Dados mais fracos do varejo aumentaram as preocupações com o ritmo da atividade econômica, pressionando empresas voltadas ao mercado interno.