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Ibovespa cai após novo tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros

16 de Julho de 2026, 13:21 5 visualizações
Ibovespa cai após novo tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros
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O Ibovespa opera em queda de 0,44% nesta quinta-feira, 16, aos 175 221 pontos, após o governo dos Estados Unidos oficializar uma tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros. A medida, anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), entra em vigor em 22 de julho e amplia as tensões comerciais entre os dois países.

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Apesar da reação negativa do mercado, a lista de exceções divulgada pelo governo americano preservou diversos produtos estratégicos para a pauta exportadora brasileira, como carne bovina, café, energia, aeronaves e componentes aeronáuticos. Segundo estimativas, as isenções abrangem cerca de 1 bilhão de dólares em comércio anual.

Para Bruno Yamashita, coordenador de Alocação e Investimento da Avenue, o mercado ainda reage mais ao aumento da incerteza política do que propriamente aos impactos econômicos da medida. “As tarifas realmente acabam gerando muita repercussão, mas existe uma lista de isenção muito grande para os produtos brasileiros. Com isso, o impacto é relativamente baixo tanto sobre as exportações brasileiras quanto sobre a participação dessas vendas no PIB do Brasil”, afirma.

Na avaliação do especialista, o efeito econômico tende a ser limitado porque a parcela das exportações atingidas representa uma pequena fração da atividade brasileira. “Isso acaba gerando muito mais ruído e tensão no campo político do que, efetivamente, um impacto econômico relevante”, completa.

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Câmbio deve permanecer sensível

Se os efeitos sobre a economia são considerados moderados, o mesmo não vale para o mercado cambial. Segundo Elson Gusmão, diretor de Câmbio da Ourominas, a ampliação das exceções evitou uma reação mais intensa do dólar, mas não elimina a volatilidade nos próximos meses. “O mercado de câmbio recebeu o tarifaço com uma reação menos intensa porque a ampliação das exceções reduziu o impacto imediato sobre setores relevantes para a geração de divisas do Brasil. Isso limita, mas não elimina a pressão sobre o real”, explica.

Segundo ele, o principal risco está na mudança de comportamento das empresas exportadoras e importadoras. “Exportadores afetados podem adiar a conversão de receitas, renegociar contratos e ampliar operações de proteção, enquanto importadores tendem a antecipar compras de dólares diante da incerteza. Esse desencontro entre oferta e demanda por moeda estrangeira pode elevar a volatilidade mesmo sem uma deterioração imediata da balança comercial.”

Outro fator que permanece no radar é a possibilidade de novas sanções comerciais. “O cenário continua aberto porque uma investigação paralela nos Estados Unidos pode resultar em uma tarifa adicional de 12,5 pontos percentuais, elevando a carga total para 37,5% sobre parte dos produtos brasileiros. Esse adicional ainda não foi confirmado, mas já começa a ser incorporado aos preços como fator de risco”, afirma.

Diversificação ganha força

Para os investidores, o episódio reforça a importância de reduzir a concentração dos investimentos no mercado doméstico, avalia Fábio Murad, sócio e fundador da Ipê Avaliações. “O tarifaço não é apenas um choque comercial, mas um alerta sobre o custo de concentrar todo o patrimônio em uma única economia e em uma única moeda”, afirma. Segundo Murad, a resposta não deve ser comprar dólares apenas em momentos de crise, mas construir uma estratégia internacional de longo prazo. “O investidor não deve tratar a diversificação internacional como uma operação emergencial. Ela precisa ser construída de forma gradual, combinando diferentes moedas, setores, regiões e fontes de geração de caixa.”

O especialista lembra que o próprio mercado americano mostra a importância dessa diversificação. Enquanto o S&P 500 segue próximo das máximas do ano, empresas de tecnologia ligadas ao setor de semicondutores vêm pressionando o Nasdaq.

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