Ibovespa cai com aversão ao risco global e pressão sobre ações de tecnologia
O Ibovespa opera em queda nesta terça-feira, 23, aos 170 127 pontos, pressionado pelo aumento da aversão ao risco nos mercados globais. O movimento acompanha as perdas observadas nas principais bolsas internacionais, enquanto investidores repercutem a ata da mais recente reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
No documento divulgado nesta manhã, o Banco Central indicou que considera mais adequadas trajetórias para a taxa Selic menos distantes das projeções observadas no mercado, incluindo as estimativas do Boletim Focus, as expectativas captadas antes da reunião do Copom e a precificação dos ativos financeiros. Segundo a autoridade monetária, movimentos muito discrepantes podem ampliar a volatilidade dos mercados e gerar impactos sobre os indicadores macroeconômicos.
Entre os destaques negativos do pregão estão as ações dos grandes bancos. O Itaú Unibanco (ITUB4) liderava as perdas do setor, com queda de 1,22%, seguido pelo Santander Brasil (SANB11), que recuava 1,15%. O Bradesco (BBDC4) registrava baixa de 1,07%, enquanto o Banco do Brasil (BBAS3) caía 0,87%.
Cenário internacional
No exterior, o humor dos investidores se deteriorou após uma forte realização nos mercados asiáticos. Na Coreia do Sul, o índice Kospi recuou cerca de 10%, enquanto o mercado japonês registrou queda próxima de 3,5%, em um movimento que reacendeu questionamentos sobre a sustentabilidade dos elevados investimentos em inteligência artificial e das fortes valorizações acumuladas pelas empresas do setor nos últimos meses.
Segundo Bruno Yamashita, coordenador de Alocação e Inteligência da Avenue, o mercado vive uma mudança de percepção em relação aos principais motores que sustentavam o otimismo recente. “Até o final da semana passada havia uma expectativa de resolução dos conflitos no Oriente Médio e de que a inteligência artificial continuaria sendo um dos principais vetores de crescimento. Agora o mercado começa a questionar esses temas, o que tem provocado uma reversão no humor dos investidores”, afirma.
A cautela também se refletia nos contratos futuros dos Estados Unidos. Antes da abertura dos negócios, o S&P 500 caía cerca de 1,2%, enquanto o Nasdaq recuava mais de 2%, pressionado principalmente pelas empresas de tecnologia e semicondutores.
Para Yamashita, parte do movimento pode estar relacionada à realização de lucros após o forte desempenho recente do setor. Os investidores também aguardam a divulgação dos resultados da Micron, fabricante de chips de memória, além de novos indicadores econômicos nos Estados Unidos previstos para esta semana, incluindo a revisão do Produto Interno Bruto (PIB) e o índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), considerado a medida de inflação preferida do Federal Reserve.
No mercado de câmbio, o dólar avançava frente ao real e era negociado próximo de 5,17 reais, refletindo o aumento da busca por ativos considerados mais seguros em um ambiente de maior aversão ao risco. Enquanto isso, os investidores seguem monitorando o cenário geopolítico e os próximos passos dos bancos centrais, fatores que devem continuar ditando o ritmo dos mercados nos próximos dias.