Ibovespa sobe após decisões de juros no Brasil e nos EUA, mas mercado mantém cautela
O Ibovespa abriu em alta nesta quinta-feira, 18, aos 169 971 pontos, em um dia marcado pela repercussão das decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos. Apesar do avanço da bolsa brasileira, investidores seguem atentos aos sinais dos bancos centrais sobre os próximos passos dos juros e aos desdobramentos do cenário geopolítico no Oriente Médio.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve a taxa básica de juros entre 3,5% e 3,75% ao ano. O mercado, no entanto, reagiu mais ao tom adotado pela autoridade monetária do que à decisão em si. Segundo analistas, a primeira reunião conduzida pelo novo presidente do Fed, Kevin Warsh, reforçou a percepção de um Banco Central comprometido com o combate à inflação e disposto a manter uma postura mais rígida caso as pressões inflacionárias persistam.
A leitura foi considerada positiva por parte dos investidores, especialmente após meses de questionamentos sobre a independência do banco central americano diante da troca de comando promovida pelo presidente Donald Trump. O tom mais duro da instituição ajudou a fortalecer o dólar globalmente, impulsionando o índice DXY, que mede a moeda americana frente a uma cesta de divisas fortes.
No Brasil, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) caminhou na direção oposta. O Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano, mas manteve cautela em relação aos próximos movimentos. O comunicado indicou que a autoridade monetária continua avaliando diferentes trajetórias para garantir a convergência da inflação à meta, sem oferecer sinais claros sobre o ritmo dos próximos cortes.
A combinação entre juros estáveis nos Estados Unidos e início do ciclo de flexibilização monetária no Brasil contribuiu para a valorização do dólar frente ao real. A moeda americana operava próxima de R$ 5,15 durante a manhã, refletindo o diferencial de política monetária entre os dois países.
No cenário internacional, investidores também monitoram os desdobramentos do acordo firmado entre Estados Unidos e Irã, que prorrogou por mais 60 dias o cessar-fogo anunciado em abril e prevê a retomada integral do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz. A medida reduz preocupações imediatas sobre a oferta global de petróleo e ajuda a aliviar parte das tensões nos mercados de energia.
Entre as ações, os bancos figuravam entre os destaques positivos do pregão. As ações do Itaú (ITUB4) avançavam 0,34%, seguidas por Santander (SANB11), com alta de 0,26%, e Bradesco (BBDC4), que subia 0,17%. O Banco do Brasil (BBAS3) era a exceção entre os grandes bancos, com recuo de 0,21%.
Para analistas, o movimento desta quinta-feira reflete um mercado que ainda busca calibrar os impactos das decisões dos bancos centrais sobre crescimento, inflação e fluxo global de capitais. A manutenção dos juros americanos em patamar elevado tende a sustentar a força do dólar, enquanto os cortes graduais da Selic podem trazer algum alívio para a economia brasileira ao longo dos próximos meses.