Idosos que caminham tão rápido quanto pessoas mais jovens correm menor risco de ter Alzheimer
Supercaminhantes. Eis um conceito novo criado por cientistas para se referir a idosos na casa dos 80 anos que caminham tão rápida e vigorosamente quanto indivíduos três décadas mais jovens do que eles. A definição foi proposta pelo grupo do neurologista americano Joe Verghese e, agora, guia uma série de estudos que buscam estabelecer uma ligação entre essa habilidade física e a proteção contra doenças, inclusive cerebrais.
Após uma análise de dados de populações previamente acompanhadas, o time do professor, baseado na Universidade Stony Brook, em Nova York, descobriu que os chamados “super movers”, segundo a classificação em inglês, apresentavam menor risco de desenvolver comprometimento cognitivo, o primeiro passo para o Alzheimer.
O trabalho, publicado na revista médica Neurology, se ancora na avaliação de idosos que vinham sendo monitorados em pesquisas americanas e internacionais. Ao compararem as pessoas que caminhavam rápido na faixa dos 80 anos com aquelas sem essa capacidade durante períodos que variavam de três a cinco anos, os especialistas notaram que os supercaminhantes encaravam uma probabilidade significativamente menor de apresentar o quadro por trás de prejuízos à memória, ao raciocínio e à autonomia diária.
O grupo do professor Verghese identificou, em um dos estudos examinados, que os “super movers” apresentavam um declínio cognitivo mais lento e uma maior preservação do hipocampo, a área do cérebro responsável pelo processamento da memória de curto prazo.
A análise também levou em conta achados de autópsias entre pessoas que se enquadravam ou não na classificação proposta. Nesse caso, observou-se que entre os supercaminhantes havia uma menor prevalência de Alzheimer e outras demências diagnosticadas clinicamente, reforçando o elo entre a capacidade física e a proteção mental.
A caminhada rápida reflete, segundo os cientistas, uma habilidade de preservar e integrar diversos sistemas do corpo, tais quais o cardiovascular, o muscular e o nervoso. “Os super movers parecem representar um fenótipo de envelhecimento excepcional, caracterizado por uma menor carga de doenças, estilos de vida mais saudáveis e, potencialmente, uma idade biológica mais jovem”, afirmou o líder da pesquisa.
Trata-se de uma combinação particularmente benéfica para o cérebro e a longevidade.
Nos últimos anos, estudos têm apontado que a capacidade e a atividade física são fatores que influenciam diretamente a propensão ao Alzheimer e a outras doenças que corroem a cognição. Quem mantém aos 80 anos a velocidade de marcha de uma pessoa de 50 anos ostenta, assim, um organismo mais resguardado contra problemas de diversas ordens, inclusive os cerebrais.