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Inflação global chegou e efeitos deverão persistir na economia, diz BC

25 de Junho de 2026, 11:24 0 visualizações
Inflação global chegou e efeitos deverão persistir na economia, diz BC

A alta dos preços do petróleo já elevou a inflação global e, ainda que conflito no Oriente Médio se encerre, seus efeitos na economia deverão persistir por algum tempo. Essa é a perspectiva do Banco Central em seu relatório de política monetária divulgado nesta quinta-feira, 25.

“Mesmo após a assinatura do memorando, efeitos acumulados em mais de cem dias de conflito
trazem ainda os riscos de alta adicional e defasada desses preços, em um contexto de redução dos estoques comerciais e das reservas estratégicas em ritmo sem precedentes no passado recente”, diz o documento.

Essa é a primeira vez que o BC assume formalmente a chegada da inflação global. Até o momento a autarquia afirmava que monitorava as incertezas geradas pela Guerra no Oriente Médio.

Segundo o Banco Central, as perspectivas macroeconômicas já vêm sendo afetadas tanto pelo efeito direto do choque de oferta quanto pelo efeito indireto associado ao aumento da incerteza e à formação de expectativas, dificultando a função de reação dos bancos centrais.

“O impacto dessa alta de preços não será homogêneo, com as economias asiáticas e europeias — mais dependentes de importações de energia provenientes do Golfo Pérsico — tendendo a ser mais negativamente afetada”, diz o BC.

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Em relação a atividade econômica, a autarquia pontua que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026. Esse crescimento foi maior que o do último trimestre de 2025, quando o PIB aumentou 0,3%. Essa aceleração da economia brasileira ocorreu na agropecuária, na indústria, no consumo das famílias e no investimento.

“Nesse contexto, a projeção para o crescimento do PIB em 2026 subiu de 1,6% para 2,0%. Mesmo assim, esse crescimento seria o menor dos últimos anos. Além disso, o mercado de trabalho continuou aquecido, com desemprego no menor nível histórico e aumento dos salários”, afirma o BC.

Diante desse cenário, de inflação global e economia local acelerada, a inflação brasileira acumulada em doze meses aumentou de 3,8% em fevereiro para 4,7% em maio. Esse aumento foi maior do que era esperado três meses atrás. “As expectativas dos analistas econômicos para a inflação de 2026 subiram bastante, de 4,1% para 5,3%, e as dos próximos dois anos se afastaram ainda mais da meta de 3%”, diz o relatório.

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O Banco Central alerta que no horizonte relevante para a política monetária, quarto trimestre de 2027, a projeção é uma inflação de 3,7%. O BC pontua ainda que os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual, com assimetria altista. Na visão da autoridade monetária, as expectativas de inflação seguem desancoradas por mais tempo e a inflação de serviços mais resiliente em função da atividade econômica aquecida.

O BC comenta ainda que os cortes de 0,25 ponto percentual. nas reuniões de abril e junho levaram em conta o acúmulo de evidências da transmissão da política monetária restritiva, com desaceleração da atividade econômica.

“Contudo, o cenário segue marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas e pressões no mercado de trabalho. O tamanho do ciclo de calibração dependerá de novas informações, visando assegurar a convergência da inflação à meta”, conclui o BC.

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