Irã alerta para ‘resposta dura’ após ataques israelenses no Líbano, às vésperas de assinatura de acordo
O Exército do Irã voltou a elevar o tom contra Israel nesta terça-feira, 16, ao ameaçar uma “resposta dura” aos ataques israelenses no sul do Líbano que deixaram ao menos quatro mortos. A advertência ocorre às vésperas da cerimônia oficial de assinatura do acordo entre Washington e Teerã para encerrar a guerra no Oriente Médio, marcada para sexta-feira, 19, em Genebra, na Suíça.
No fim de semana, Estados Unidos e Irã anunciaram ter chegado a um memorando de entendimento para pôr fim ao conflito travado há mais de quinze semanas. Embora o presidente americano, Donald Trump, tenha afirmado que o pacto já estava concluído, autoridades dos dois países ainda formalizarão presencialmente o texto. A expectativa é que a assinatura abra caminho para negociações mais amplas e para a consolidação de uma trégua duradoura.
A ameaça iraniana, no entanto, expõe a fragilidade do entendimento diplomático antes mesmo de sua oficialização. Segundo Teerã, Israel já teria violado o cessar-fogo dezenas de vezes desde o anúncio do acordo, alimentando o temor de uma nova escalada regional.
O comandante do quartel-general central Khatam al-Anbiya, principal estrutura operacional das Forças Armadas iranianas, afirmou que Israel será responsabilizado caso mantenha as ofensivas no sul do Líbano.
“Se o Exército assassino de crianças do regime sionista não puser fim aos seus atos de agressão no sul do Líbano, deve esperar uma dura resposta das poderosas forças armadas da República Islâmica do Irã”, declarou o militar em comunicado divulgado pela imprensa estatal iraniana.
Posição israelense
As declarações do comando iraniano coincidem com sinais de que Israel não pretende reduzir sua presença militar na região.
Na segunda-feira, 15, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que as Forças de Defesa de Israel (IDF) permanecerão no Líbano, na Síria e na Faixa de Gaza por tempo indeterminado.
“As IDF permanecerão nas zonas de segurança no Líbano, na Síria e em Gaza para defender a fronteira e as comunidades israelenses contra elementos jihadistas”, disse o ministro, segundo o jornal Haaretz.
Israel e Hezbollah travam a guerra atual desde o dia 2 de março, quando a milícia libanesa promoveu bombardeios contra o território israelense em retaliação aos ataques contra o Irã. Pelo menos 3.711 libaneses foram mortos em decorrência da ofensiva, que destruiu grande parte do sul do Líbano. Embora a expectativa seja de que as hostilidades sejam encerradas com o acordo entre Teerã e Washington, Israel já afirmou que seguirá “indefinidamente” nas áreas ocupadas por seu Exército, o que pode representar um sério obstáculo ao acordo.