Irã ameaça fechar Estreito de Ormuz novamente após ataques de Israel ao Líbano
O Irã anunciou neste sábado, 20, o fechamento do Estreito de Ormuz após uma nova rodada de ataques de Israel contra posições do Hezbollah no sul do Líbano. A decisão foi divulgada pelas Forças Armadas iranianas por meio da agência estatal Fars, que atribuiu a medida ao descumprimento do pré-acordo firmado nesta semana entre Estados Unidos e Irã para reduzir as hostilidades na região.
O entendimento foi anunciado na quarta-feira como a primeira etapa de uma negociação mais ampla entre Washington e Teerã sobre o programa nuclear iraniano, segurança regional e a reabertura do Estreito de Ormuz. Como parte do acordo, entrou em vigor na sexta-feira um cessar-fogo envolvendo o Hezbollah no Líbano. Neste sábado, porém, Israel voltou a atacar posições do grupo, colocando a trégua sob pressão.
Segundo as Forças de Defesa de Israel (IDF), os bombardeios foram uma resposta ao lançamento de mais de 50 projéteis contra tropas israelenses durante a noite. Os militares afirmaram ter atingido lançadores de foguetes, depósitos de armas e centros de comando do Hezbollah. Já autoridades libanesas informaram que ao menos 20 pessoas morreram nos ataques.
Ao anunciar o novo fechamento de Ormuz, o Exército iraniano afirmou que a decisão foi tomada diante da “violação flagrante” do acordo e da continuidade dos ataques israelenses no sul do Líbano. Segundo Teerã, os Estados Unidos falharam em garantir a implementação do primeiro compromisso previsto no entendimento firmado entre os dois países.
Apesar do anúncio, plataformas de monitoramento marítimo mostravam, até a tarde deste sábado, que o tráfego de embarcações pelo Estreito de Ormuz seguia sem interrupções.
A passagem marítima liga o Golfo Pérsico ao Oceano Índico e é considerada uma das principais rotas de transporte de petróleo e gás natural do mundo. Cerca de um quinto do petróleo comercializado globalmente passa pelo estreito. O fechamento da via no início deste ano, após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao território iraniano, provocou forte volatilidade nos mercados internacionais de energia.
As negociações entre Estados Unidos e Irã continuam em andamento. Representantes dos dois países deveriam se reunir na sexta-feira, na Suíça, com mediação de Catar e Paquistão, para discutir a implementação do memorando de entendimento, mas o encontro foi adiado. Ainda assim, emissários americanos seguiram para o país europeu e o governo iraniano confirmou o envio de uma delegação liderada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e pelo chanceler Abbas Araghchi.