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Irã bombardeia petroleiros no Estreito de Ormuz; 3ª dia seguido de ataques dos EUA faz mortos

14 de Julho de 2026, 11:55 3 visualizações
Irã bombardeia petroleiros no Estreito de Ormuz; 3ª dia seguido de ataques dos EUA faz mortos

Os Estados Unidos lançaram na madrugada desta terça-feira, 14, uma série de ataques contra o Irã, em uma nova escalada após a recente retomada das hostilidades. Quatro novas explosões foram ouvidas perto de Bandar Abbas, cidade portuária do sul iraniano situada no Estreito de Ormuz, segundo a agência de notícias estatal Irna; em resposta, a Guarda Revolucionária Islâmica disparou contra ao menos dois petroleiros, de acordo com a agência de monitoramento marítimo UKMTO — que os Emirados Árabes Unidos afirmaram ser seus.

A UKMTO informou os ataques iranianos ocorreram na rota sul, que margeia a costa de Omã — o caminho que os Estados Unidos recomendaram, em vez da rota norte que Teerã quer que seja usada.  “Recomenda-se que as embarcações naveguem com cautela”, disse o órgão em comunicado.

Nesta madrugada, os Emirados Árabes informaram que mísseis de cruzeiro iranianos atingiram dois petroleiros do país — o Mombasa e o Al Bahiyah —, matando um tripulante e ferindo outros oito. O governo emirati condenou o “ataque flagrante”, que qualificou como uma “violação grave e uma clara infração ao direito internacional, e afirmou reservar “o pleno direito de responder à escalada e adotar todas as medidas necessárias para proteger seu território, seus cidadãos e moradores”.

Do total de 46 tripulantes nas duas embarcações, 30 eram indianos, e a vítima fatal tinha cidadania indiana. Em reposta, o Ministério das Relações Exteriores da Índia convocou o vice-chefe da embaixada do Irã em Nova Délhi para registrar um “protesto veemente” contra os ataques aos navios.

Além disso, a Guarda Revolucionária Islâmica reivindicou uma operação no Bahrein, incluindo um ataque contra um edifício residencial das forças americanas na base de Juffair.

Terceira noite de ataques

Nesta madrugada, o comando militar americano para o Oriente Médio (Centcom) anunciou em um comunicado o início de “uma terceira noite consecutiva de ataques contra o Irã”, pouco depois da meia-noite, hora de Teerã.

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“Vamos atingi-los com força esta noite, e vamos atingi-los com força amanhã”, havia declarado antes o presidente Donald Trump ao radialista Hugh Hewitt.

A mídia estatal iraniana informou sobre mortos nos últimos ataques americanos, que, segundo disseram, tiveram como alvo amplas zonas do sul e do oeste do país. Ao menos 25 pessoas perderan a vida no Irã desde que as hostilidades foram retomadas na quarta-feira passada.

Em meio ao fogo cruzado, porém, o ocupante do Salão Oval afirmou na segunda-feira à noite à imprensa na Casa Branca que um acordo com o Irã ainda era “possível”.

Antes disso, havia anunciado em sua plataforma, a Truth Social, que os Estados Unidos tomariam o controle de Ormuz, rota estratégica para o comércio mundial de petróleo e gás natural, e que o bloqueio dos portos iranianos seria restabelecido. Essa medida de pressão entrará em vigor nesta terça-feira às 17h no horário de Brasília, segundo o Exército americano.

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Assim como Teerã, o presidente dos Estados Unidos disse que queria cobrar “uma remuneração equivalente a 20% do valor das cargas” em Ormuz, apesar de a via estar sujeita ao direito internacional, o que supostamente deve garantir a liberdade de navegação.

O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, ironizou sobre a ameaça de pedágio de Trump. “O Irã sempre foi o guardião do estreito e continuará sendo para sempre”, escreveu ele no X (ex-Twitter). “O presidente dos Estados Unidos está absolutamente certo. Quem garantir a passagem segura deve receber uma compensação”, disse, acrescentando: “Os 20% são, é claro, já são demais. Seremos justos”.

Diante dessas trocas de ataques e ameaças, os preços do petróleo dispararam na segunda-feira: o barril de Brent, referência internacional, subiu 9,59% e foi cotado a US$ 83,30.

Cessar-fogo quebrado

Após quase 40 dias de bombardeios no conflito desencadeado pelos ataques israelenses e americanos de 28 de fevereiro, um cessar-fogo entrou em vigor no início de abril e foi ratificado em 17 de junho por meio de um protocolo de acordo.

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Mas, desde as novas agressões dos últimos dias contra navios que tentavam atravessar Ormuz, os confrontos foram retomados com uma intensidade sem precedentes, o que levou Trump a afirmar que o cessar-fogo “acabou”.

Na semana passada, o presidente dos Estados Unidos enviou ainda uma notificação oficial ao Congresso indicando que o conflito com o Irã havia sido retomado, segundo a agência de notícias AFP.

Já o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baqaei, afirmou na segunda-feira que o memorando de entendimento de junho, que serviu de base para as negociações e suspendeu o bloqueio americano em Ormuz, estava “em crise”. Baqaei avisou que o Irã ignoraria suas obrigações no âmbito do pacto se os Estados Unidos fizessem o mesmo, mas acrescentou que Teerã continuava mantendo conversas com mediadores do Catar, do Paquistão e de Omã para evitar uma escalada maior.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, expressou na segunda-feira sua “profunda preocupação” com a escalada regional.

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