Irã diz ter atacado alvos dos EUA no Golfo após bombardeio americano
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou neste sábado (27, em horário local, sexta, 28, em Brasília) que atacou alvos americanos no Golfo, em resposta aos bombardeios lançados por Washington, informou a emissora estatal iraniana Irib.
Mais cedo, as forças dos Estados Unidos bombardearam depósitos iranianos de mísseis e drones, além de radares costeiros, em resposta a um ataque iraniano contra um navio de carga no Estreito de Ormuz, informou o Exército americano.
“A agressão injustificada contra a navegação comercial por parte das forças iranianas violou claramente o cessar-fogo”, afirmou o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) na rede social X, descrevendo os bombardeios contra o Irã como “uma resposta contundente ao ataque de ontem contra um navio mercante que transitava pelo Estreito de Ormuz”.
Nesta sexta, o presidente americano, Donald Trump, já havia acusado o Irã de atacar embarcações em Ormuz, em violação dos termos para encerrar o conflito entre os países.
“A República Islâmica do Irã disparou pelo menos quatro drones de ataque unidirecional contra navios que transitavam pelo Estreito de Ormuz. Um dos drones atingiu em cheio o convés superior de um grande e caríssimo navio de carga. Houve danos, mas o navio conseguiu seguir viagem. Nós abatemos outros três drones. Obviamente, trata-se de uma violação insensata do nosso acordo de cessar-fogo”, escreveu em publicação nas redes sociais.
Informações conflitantes
Os dois países, que encerraram uma primeira rodada de negociações na Suíça na segunda-feira sem grandes avanços, vêm apresentando versões conflitantes sobre o controle do Estreito de Ormuz, assim como guerra paralela de Israel no Líbano e incentivos financeiros ao Irã — todos aspectos importantes do memorando assinado na semana passada com o objetivo de encerrar a guerra.
Nesta manhã, em postura desafiadora, o Irã voltou a defender seu direito de controlar a navegação no Estreito de Ormuz e advertiu os países do Golfo a não se alinharem aos Estados Unidos, ampliando as tensões em torno da estratégica rota marítima, por onde passam 20% do petróleo e gás consumidos no mundo.
A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, recém-criada pelo Irã para gerenciar o Estreito de Ormuz, afirmou na quinta-feira 25 que as embarcações que navegarem fora das rotas estabelecidas não terão garantia de passagem segura. “As consequências decorrentes da passagem por rotas não autorizadas serão de responsabilidade do proprietário, do operador e do comandante da embarcação”, disse o entidade no X (ex-Twitter).
Na quinta-feira, a agência de navegação das Nações Unidas chegou a suspender ma operação de retirada de centenas de navios retidos e na passagem, após um navio ter sido atacado no Golfo de Omã. A iniciativa, lançada na terça-feira, era uma opção voluntária para que navios e suas tripulações deixassem o Golfo por duas rotas: uma por águas iranianas e outra por águas de Omã com supervisão dos Estados Unidos.
Polêmica das taxas
O Ministério das Relações Exteriores iraniano classificou nesta sexta-feira como “intervencionista, irresponsável e provocativa” uma declaração conjunta que os Estados Unidos e seis integrantes do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) emitiram, rejeitando a intenção iraniana de cobrar taxas de embarcações que cruzam o estreito.
Sobre as taxas em Ormuz, o memorando de entendimento assinado na semana passada indica que o regime iraniano se comprometeu a não cobrar pagamentos de quaisquer embarcações durante o período de 60 dias de negociações aberto na segunda. Deixa em aberto, porém, o que acontecerá ao fim do prazo.
Já o presidente Trump disse na quarta-feira que o Irã garantiu a Washington que não haverá quaisquer cobranças de pedágio ou de taxas para travessia de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz.
“O Irã informou aos Estados Unidos que, apesar de notícias falsas e provocativas que afirmam o contrário, ‘NÃO HÁ PEDÁGIOS, CUSTOS DE SEGURO OU QUAISQUER OUTRAS TAXAS SENDO EXIGIDOS OU RECEBIDOS PELO IRÃ DE NAVIOS QUE NAVEGAM PELO ESTREITO DE HORMUZ’”, escreveu Trump em uma publicação nas redes sociais. “Se essa informação for falsa, as negociações terminarão imediatamente !”.