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Irã transforma lance da Copa em metáfora da guerra com os EUA

22 de Junho de 2026, 20:24 0 visualizações
Irã transforma lance da Copa em metáfora da guerra com os EUA

O empate sem gols entre Irã e Bélgica pela fase de grupos da Copa do Mundo, neste domingo, 21, ultrapassou as quatro linhas e ganhou contornos geopolíticos. Uma defesa do goleiro Alireza Beiranvand passou a ser utilizada por autoridades e internautas iranianos como metáfora para a atuação do país durante o conflito com os Estados Unidos.

A comparação partiu de Mohammad Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano e um dos principais representantes de Teerã nas negociações de paz com Washington. Durante a partida disputada em Los Angeles, ele compartilhou nas redes sociais uma imagem da intervenção de Beiranvand. “É assim que protegemos nossa terra”, escreveu.

Presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Ghalibaf, repercute nas redes sociais defesa de Alireza Beiranvand contra a Bélgica na Copa do Mundo em 21 de junho de 2026
Presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Ghalibaf, repercute nas redes sociais defesa de Alireza Beiranvand contra a Bélgica na Copa do Mundo em 21 de junho de 2026Ghalibaf/Reprodução

 

A publicação de Ghalibaf rapidamente repercutiu. Nas redes, internautas apelidaram o espaço entre Beiranvand e a defesa iraniana na jogada de “Estreito de Ormuz”, em referência à passagem marítima estratégica sob influência do Irã e por onde circula parte significativa do petróleo mundial.

Do campo à guerra

Com sete defesas, Beiranvand foi o principal responsável pelo resultado que manteve vivas as chances iranianas de classificação para a próxima fase do Mundial. Eleito o melhor jogador da partida, o goleiro dedicou o prêmio à população de seu país.

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“Quero agradecer ao amado povo do meu país. Gostaria de beijar as mãos de cada um deles. Nós jogamos por eles. Queremos vê-los felizes, porque vivem circunstâncias muito difíceis. Por isso, ofereço este troféu a eles. Agradeço a todos que nos apoiaram hoje”, afirmou à Fifa após o jogo.

Bilhete pela paz

Após a partida contra a Bélgica, a seleção iraniana também chamou atenção por uma mensagem deixada no vestiário do estádio.

Escrito à mão, o texto exaltava a história do país e defendia a convivência pacífica entre os povos. “Da antiga Pérsia de milhares de anos atrás ao Irã civilizado de hoje, o espírito do Irã permanece vivo e firme”, dizia a mensagem divulgada posteriormente pela Federação Iraniana de Futebol.

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O bilhete afirmava ainda que a equipe havia chegado aos Estados Unidos “com orgulho”, competido “com honra” e deixado Los Angeles “com dignidade”. Ao final, os jogadores faziam um apelo pela paz, pelo respeito e pela amizade entre as nações.

Desafios da seleção iraniana

A participação iraniana no Mundial foi marcada por dificuldades logísticas desde o início. Em razão das restrições impostas durante o conflito, a equipe estabeleceu sua base de treinamento em Tijuana, no México, e enfrentou obstáculos para seus deslocamentos e procedimentos de entrada nos Estados Unidos.

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Após a estreia, um empate por 2 a 2 contra a Nova Zelândia, o técnico Amir Ghalenoei afirmou que o Irã era “a equipe mais oprimida de toda a Copa do Mundo”. O treinador citou problemas relacionados a vistos, viagens e ao curto período de preparação para o torneio.

Os episódios ocorreram poucos dias depois da assinatura do acordo preliminar que interrompeu os combates entre Irã e Estados Unidos e abriu uma nova fase de negociações diplomáticas.

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