Israel ataca sul do Líbano apesar de cessar-fogo; Irã fala em risco para as negociações
O Exército israelense afirmou nesta terça-feira, 23, que abriu fogo no sul do Líbano contra “terroristas armados”, no primeiro incidente do tipo desde a calmaria tensa que se instalou no país a partir da noite de sábado entre Israel e o Hezbollah, milícia apoiada pelo Irã.
“O Exército identificou uma célula de terroristas armados que operava nas imediações de suas forças na zona de segurança”, afirmou o Exército em um comunicado, referindo-se à área que ocupa no sul libanês. A nota acrescenta que os soldados miraram nos indivíduos “para eliminar a ameaça”.
Já a agência de notícias estatal do Líbano, a NNA, informou que soldados israelenses abriram fogo contra um grupo de pessoas perto de uma escavadeira que limpava uma estrada no bairro de al-Deir, em Nabatieh al-Fawqa. Não ficou claro se trata-se do mesmo incidente.
Questionado sobre o incidente mais recente, o embaixador irano nas Nações Unidas em Genebra, Ali Bahreini, disse a repórteres que qualquer violação do memorando de entendimento criaria desafios para as negociações de paz.
“O Líbano é uma parte inquestionável do acordo, e tudo o que acontece no Líbano afeta todo o processo; são os Estados Unidos que devem usar toda a sua influência sobre Israel para fazê-lo parar os ataques contra o Líbano”, disse ele.
Cessar-fogo tenso
Uma trégua entre Israel e o Hezbollah, anunciada pelos Estados Unidos na última sexta-feira, havia sido “quase totalmente” respeitada até agora, diferente de arranjos anteriores, que ficaram apenas no papel. O último bombardeio israelense no Líbano havia acontecido no sábado 20, antes de uma primeira sessão de negociações na Suíça entre Washington e Teerã, para encerrar a guerra no Oriente Médio em todas as frentes de batalha.
Por insistência do Irã, um acordo provisório assinado com os Estados Unidos na semana passada exige que Washington, Teerã e seus aliados imponham o fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes da guerra no Oriente Médio, incluindo o Líbano.
Uma declaração conjunta emitida ao final das primeiras conversas entre os Estados Unidos e o Irã, mediadas pelo Paquistão e Catar na Suíça, afirmou que as partes concordaram em criar uma “célula de desconflito” para garantir o cumprimento do cessar-fogo no Líbano.
Israel, porém, ainda não se pronunciou sobre o assunto. O primeiro-ministro do país, Benjamin Netanyahu, disse na segunda-feira que os militares tinham total liberdade de ação para frustrar qualquer ameaça direta ou emergente do Hezbollah contra elas ou contra cidadãos israelenses, e que permaneceriam no Líbano “pelo tempo que fosse necessário”.
Desde que o Hezbollah abriu fogo contra Israel em apoio ao Irã em 2 de março, os ataques de retaliação ao Líbano mataram 4.106 pessoas, incluindo 773 mulheres, crianças e profissionais de saúde, segundo o Ministério da Saúde do país. O número de mortos não especifica quantos são combatentes do grupo armado.
Além disso, cerca de 1,2 milhão de pessoas foram forçadas a fugir de suas casas no Líbano.
Do outro lado, o número de mortos em Israel devido aos ataques do Hezbollah inclui pelo menos 32 soldados e quatro civis.