Jornalista da Globo é criticada por sugerir deixar crianças em escolas durante jogo do Brasil
Apresentadora da Globo, Sabina Simonato, âncora do Bom Dia São Paulo, foi criticada por tecer comentários no telejornal que sugeriam que as escolas mantivessem as crianças durante o jogo do Brasil contra o Japão na segunda-feira, 29, já que a partida aconteceria às 14h, o que dificultava a vida de pais que não conseguissem dispensa do trabalho.
“Eu me coloco no lugar dos pais, tem muito pai que não pode sair do serviço no horário do jogo. Como é que você dispensa as crianças? Faz uma atividade diferente com as crianças, bota um telão, uma televisão grande no pátio da escola, sei lá. Faz desse limão uma limonada, porque você põe nas costas da família que tá lá, que depende de deixar o filho na escola para ganhar o pão de todo dia, e aí, o que que você faz? Se vira, arruma alguém para ficar com a tua criança? Olha, eu não concordo com isso.”, disse Sabina às 6h25.
“E você que escola tanto da rede pública quanto da particular vão liberar entre 11h e meio-dia as crianças, os adolescentes, enfim. E, realmente, os pais que se virem”, concordou a colega Cinthia Toledo.
“E eu nem estou falando isso por causa da escola da minha filha, porque graças a Deus lá eles tiveram bom senso, e aí as crianças que quiserem vão poder acompanhar o jogo, coloca pufe, um brinca com o outro. E eu fico me colocando no lugar desses pais e dessas mães [que não vão ter isso]. O que você faz?”, questionou a âncora novamente.
Vinte minutos depois, Sabina leu os comentários de telespectadores no telão do Bom Dia São Paulo e se desculpou pela forma como havia se expressado. “Talvez a forma como eu tenha me expressado falando um pouco sobre a questão dos filhos que as escolas vão liberar e aí os pais… A Rosangela falou sobre isso, tenho recebido muitas mensagens falando disso, que as “escolas não são depósitos”, começou a apresentadora, lendo a mensagem em seguida. A telespectadora defendeu que entende as dificuldades de pais, mas que escolas são ambientes de aprendizado e que os funcionários das escolas também têm filhos que não podem ficar espalhados por aí.
“Talvez você tenha razão, Rosangela. Eu não tenho a verdade absoluta, talvez a minha forma de me expressar tenha sido errada, digamos assim. Eu quero dizer que existe um calendário do ano inteiro. E aí, de repente, por um jogo da Copa do Mundo, você altera isso, e aí o pai e a mãe que tinham um planejamento, e o filho estava na escola, se vê de uma hora para a outra tendo que mudar os planos… Foi nesse sentido. Em nenhum momento eu disse que escola é depósito de aluno, que escola é creche”, declarou Sabina.
“Vocês têm todo direito de se manifestar, estão me pedindo retratação, quero deixar aqui meu posicionamento. Existia uma calendário sem um jogo previsto para segunda-feira, duas horas da tarde, quando muitas crianças estariam na escola. É nesse sentido, eu tenho todo respeito e admiração pelos profissionais da educação, não estou dizendo para tomarem conta de crianças, eu só queria que a gente pensasse nos dois lados, a gente não tem compromisso com um lado apenas. Tem mãe também que trabalha no horário do jogo. É nesse sentido. Então, você que não concordou com meu ponto de vista que talvez naquele momento eu não tenha sido clara, meu desculpa. Eu respeito todos os profissionais”, concluiu.