Justiça libera Braskem para colocar US$ 230 milhões na Idesa
A Justiça americana autorizou a Braskem Idesa a acessar US$ 230 milhões de financiamento da própria Braskem para bancar a recuperação da operação mexicana. O dinheiro faz parte do DIP de US$ 279 milhões previsto no Chapter 11 e poderá começar a ser usado imediatamente. Outros US$ 49 milhões dependem da aprovação definitiva do financiamento.
Os recursos não servirão apenas para pagar as despesas da recuperação. A intenção é colocar dinheiro na operação e elevar rapidamente a produção do complexo petroquímico. A Alvarez & Marsal estimou que a Idesa precisaria de US$ 350 milhões de recursos adicionais para atravessar o Chapter 11, sustentar as operações e chegar à saída com liquidez. A conta será fechada com os US$ 279 milhões do DIP e outros US$ 71 milhões que a Braskem colocará na conclusão do processo.
O desembolso ocorre em um momento delicado para a controladora. A Braskem negocia no Brasil uma recuperação extrajudicial para equacionar uma dívida superior a US$ 10 bilhões e está protegida de execuções financeiras por uma cautelar que termina em 24 de agosto. Credores já rejeitaram uma proposta que previa cinco anos de carência para o principal e dois anos e meio para juros.
Os bastidores do Chapter 11 tornam a operação mexicana ainda mais sensível. A Lazard começou a buscar financiamento para a Idesa em março e procurou 20 potenciais financiadores externos. Apenas um apresentou uma alternativa, que não era vinculante e dependia de suporte adicional de um acionista. No fim, nenhuma opção de terceiro era executável. Credores da Idesa também disseram que não aceitariam um DIP com prioridade sobre suas garantias concedido por outro financiador. A Braskem acabou virando a financiadora da recuperação.
O DIP cobra juros de 10% ao ano, pagos em dívida, mais uma taxa de compromisso de 0,5%, mas a ideia é que ele não seja quitado em dinheiro. Na saída do Chapter 11, o crédito da Braskem será convertido em ações da Idesa. Pela estrutura prevista no plano, a brasileira continuará controladora, mas sua participação deverá cair de aproximadamente 75% para cerca de 58%.
A operação, portanto, resolve parte do problema da subsidiária mexicana, mas adiciona uma discussão à negociação brasileira: enquanto pede tempo e concessões aos credores da controladora, a Braskem terá de direcionar até US$ 350 milhões de dinheiro novo para preservar e recuperar a operação no México. O Chapter 11 da Idesa prevê redução superior a US$ 920 milhões em sua dívida e saída do processo em 60 a 90 dias.