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Keeta rebate acusações e diz que rival desvia foco de monopólio

30 de Junho de 2026, 12:26 0 visualizações
Keeta rebate acusações e diz que rival desvia foco de monopólio

A disputa pelo futuro do delivery de comida no Brasil subiu de temperatura no Conselho Administrativo de Defesa Econômica. Depois de o Radar Econômico revelar a estratégia do iFood de usar uma nota técnica do Cade para pedir uma devassa sobre a “guerra de subsídios” de concorrentes estrangeiros, a chinesa Keeta decidiu sair do silêncio. Em manifestação oficial enviada à coluna, a plataforma, braço da gigante Meituan, rebateu a ofensiva do iFood e abriu um confronto direto. Para a empresa chinesa, o movimento da líder de mercado nos bastidores de Brasília é uma tentativa de mudar o foco do debate concorrencial.

“Mais uma vez, o player dominante, que já possui denúncias de descumprimento do seu acordo com o Cade, tenta manter sua posição monopolista e desviar a atenção do real problema: o mercado de delivery de comida no Brasil é anticompetitivo e disfuncional”, afirmou a Keeta ao Radar Econômico.

O novo capítulo ocorre após o iFood pedir ao Cade que olhe com mais atenção para o uso agressivo de descontos por plataformas estrangeiras capitalizadas. A tese da empresa brasileira é que concorrentes com acesso a “bolso fundo” internacional poderiam bancar preços artificialmente baixos para ganhar escala rapidamente, pressionar rivais e desequilibrar o mercado.

A Keeta contesta essa leitura. Segundo a plataforma chinesa, os cupons não são uma prática predatória, mas uma ferramenta necessária para permitir a entrada de um novo competidor em um setor que, na visão da empresa, permaneceu por anos altamente concentrado.

A companhia afirma que sua política de descontos tem como objetivo “incentivar a experimentação inicial” de consumidores e restaurantes em um ecossistema que teria sido “fechado por cláusulas de exclusividade e banimento”. A Keeta sustenta ainda que sua estratégia de longo prazo não depende de subsídios permanentes, mas da retenção de clientes pela qualidade do serviço.

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No diagnóstico trazido à coluna, a empresa tenta inverter a acusação feita pelo iFood. Para a Keeta, o problema central do mercado brasileiro não é a entrada de plataformas estrangeiras capitalizadas, mas a estrutura moldada pela liderança do próprio iFood.

A plataforma afirma que a concentração prejudica toda a cadeia: restaurantes teriam menos liberdade para diversificar canais de venda, entregadores ficariam com menos alternativas de renda e consumidores acabariam sujeitos a preços mais altos e serviços de qualidade inferior.

O embate mostra que o acompanhamento de mercado no Cade deixou de ser apenas um procedimento técnico. Virou uma guerra pública e bilionária sobre qual risco concorrencial deve preocupar mais a autoridade antitruste: o poder acumulado pela líder nacional ou o uso de capital internacional para ganhar mercado rapidamente.

De um lado, o iFood tenta enquadrar a ofensiva das novas rivais em teses globais de preço predatório e subsídios cruzados. Do outro, a Keeta busca recolocar o monopólio no centro da discussão e cobra que as autoridades garantam a abertura efetiva do mercado.

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