Le Pen anuncia candidatura à presidência da França apesar de condenação por corrupção
A líder de extrema direita Marine Le Pen anunciou nesta terça-feira, 7, sua candidatura oficial à eleição presidencial da França em 2027, apesar de uma condenação por desvio de recursos públicos que lhe impôs o uso de uma tornozeleira eletrônica durante um ano.
“Esta noite sou candidata à eleição presidencial”, declarou Le Pen à emissora TF1, ao anunciar um recurso contra a sentença que, em sua opinião, permitirá que ela faça campanha sem a tornozeleira, ao suspender sua aplicação.
A política de 57 anos recuperou o direito de concorrer à Presidência após uma decisão do Tribunal de Apelação de Paris que, embora tenha mantido sua condenação por desvio de recursos públicos europeus, reduziu a pena de inelegibilidade para 45 meses, dos quais 30 já foram cumpridos.
Ou seja, na prática, a ultradireitista poderá ocupar cargos públicos em 15 meses e lançar candidatura para o pleito do próximo ano, mesmo que ainda use tornozeleira — o tribunal também determinou uma pena de três anos de prisão, mas suspendeu dois deles e permitiu que o último fosse cumprido em regime aberto. Além disso, ela terá de pagar uma multa de 100 mil euros (mais de R$ 587 mil).
Em declarações anteriores, Le Pen sugeriu que não disputaria o Palácio do Eliseu enquanto estivesse sob monitoramento eletrônico. Ela argumentou que o dispositivo afetaria a campanha e prejudicaria a candidatura. A ultradireitista havia sugerido que o atual presidente do partido de extrema direito Reagrupamento Nacional, Jordan Bardella, poderia substituí-la — não mais.
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Entenda as acusações
Em março do ano passado, Le Pen e outros membros de seu partido foram condenados por desviar verbas destinadas a assistentes parlamentares do legislativo da União Europeia para outras funções, um esquema que ela teria liderado entre 2004 e 2016 em violação às regras do bloco. Segundo os juízes, grande parte dos fundos foi para sua própria sigla, então conhecida como Frente Nacional, na política interna francesa.
O processo judicial teve origem em um alerta feito em 2015 por Martin Schulz, então presidente do Parlamento Europeu, às autoridades francesas. A sentença definiu que Le Pen estava no centro de um “sistema” criado para desviar fundos do legislativo europeu — inclusive para pagar seu guarda-costas e seu chefe de gabinete. No entanto, ninguém teria embolsado o dinheiro para uso pessoal.
Todos negaram as acusações, e Le Pen argumentou que o dinheiro foi usado de forma legítima. Ela recorreu da decisão em janeiro deste ano. “Espero conseguir convencer os juízes da minha inocência. É um novo tribunal com novos juízes. O caso será reiniciado, por assim dizer”, afirmou a política de extrema direita na ocasião. Dito e feito.