Lucy, fóssil de 3,2 milhões de anos, sai da Etiópia após quase duas décadas
A Lucy, fóssil de uma hominídea de 3,2 milhões de anos, deixou a Etiópia após quase duas décadas. O esqueleto foi levado à Abu Dhabi e está sendo exibido no Museu de História Natural do país. O transporte foi guardado em segredo durante meses e demandou uma logística meticulosa.
História de Lucy
O fóssil de Lucy é da espécie Australopithecus afarensis e foi descoberto em 1974 por uma equipe internacional liderada pelo paleoantropólogo norte-americano Donald Johanson na região de Afar, na Etiópia. Seu nome foi escolhido em homenagem à música dos Beatles “Lucy In The Sky With Diamonds”.
Esse vestígio quase completo de um dos nossos antecedentes foi um marco para o conhecimento da evolução humana. A partir de Lucy, os arqueólogos obtiveram evidências claras de que a postura e andar eretos vieram antes da expansão do cérebro humano, algo que era desacreditado por teorias anteriores.
Apesar de sua importância para a ciência e a cultura da Etiópia, o fóssil é pouco visto pelo público. Com objetivo de divulgar essa peça da história da humanidade, o país africano tentou expô-la nos Estado Unidos em 2007, mas cientistas se posicionaram contra em razão dos possíveis danos que poderiam acontecer no transporte.
O transporte
Após quase duas décadas, Lucy deixou a Etiópia em direção a Abu Dhabi. A viagem aconteceu em um momento no qual a tecnologia no transporte avançou.
O transporte do fóssil levou meses e demandou uma logística meticulosa. Uma equipe especializada viajou para o Museu de História Natural de Abu Dhabi antes e planejou cada etapa da ação. Todos os ossos foram embalados e protegidos em recipientes específicos com extremo cuidado e precisão.
Os significados por trás
A ida de Lucy a outro país africano representa uma mudança na paleontologia contemporânea. Antigamente, os vestígios eram encontrados, analisados e interpretados em países da Europa. Nos dias de hoje, cada vez mais, as nações estão assumindo o controle de seu patrimônio e determinando o valor cultural, assim como os locais onde serão exibidos.