Lula não se reúne com Trump no G7, mas manda recados ao americano
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a cúpula do G7 para enviar sinais políticos ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio à expectativa de um encontro bilateral ainda sem confirmação entre os dois líderes. Em participação no programa VEJA em Foco, apresentado por Marcela Rahal, o colunista e editor de VEJA Diogo Schelp afirmou que, no atual cenário, um eventual avanço nas negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos ainda é incerto.
Haverá espaço para negociação entre Lula e Trump?
Segundo Schelp, mesmo a abertura de um canal de diálogo entre os dois países já seria considerada um avanço diante do contexto diplomático atual. Havia expectativa entre auxiliares de Lula de uma conversa presencial com Trump durante o encontro do G7, mas um episódio envolvendo a foto oficial do evento levantou dúvidas sobre o clima entre os dois líderes.
“Não dá para saber direito se foi proposital, que um não quis cumprimentar o outro”, disse Schelp, ponderando que um eventual mal-estar diplomático “não fica tão claro” e pode ter sido apenas uma coincidência do protocolo do encontro.
O principal ponto de tensão envolve a possibilidade de os Estados Unidos imporem tarifas de 25% sobre produtos brasileiros a partir de julho, medida anunciada pelo governo americano caso não haja avanços nas investigações conduzidas pelo escritório comercial dos EUA. Para Schelp, é improvável que uma eventual conversa entre Lula e Trump resulte rapidamente em uma conclusão sobre o tema.
Como Lula usou o G7 para responder aos Estados Unidos?
Mesmo sem uma reunião bilateral acertada pelas equipes diplomáticas, Lula aproveitou um discurso no G7 para criticar, ainda que indiretamente, posições defendidas por Trump. De acordo com Schelp, o presidente brasileiro fez referências ao que considera medidas “unilaterais” e “protecionistas”, em menção às discussões comerciais envolvendo os EUA.
Lula também comentou a decisão americana de classificar as facções criminosas PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Segundo Schelp, o presidente defendeu que ações de combate ao crime organizado respeitem a soberania dos países.
“Esse tipo de decisão deve ser feita com respeito à soberania dos países”, resumiu o colunista ao comentar o teor da fala do presidente brasileiro.
O que saiu da reunião com a União Europeia?
Se a aproximação com os Estados Unidos permanece indefinida, as conversas com a União Europeia tiveram resultado mais concreto, segundo Schelp. Lula se reuniu com Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, e António Costa, presidente do Conselho Europeu, para discutir o impasse envolvendo a importação de carne brasileira.
De acordo com o colunista de VEJA, ficou acertada a abertura de um diálogo entre assessores do Itamaraty e representantes da União Europeia para tentar solucionar o problema. O bloco europeu anunciou um veto à compra de carnes brasileiras a partir de setembro, sob a justificativa de ausência de documentação sobre regras sanitárias relacionadas ao uso de antibióticos e outros produtos na criação dos animais.
Para Schelp, apesar do impasse, houve um avanço diplomático ao menos na abertura de uma mesa de negociação. “Pelo menos se estabeleceu um diálogo para que se resolva a questão, que acima de tudo é uma questão técnica”, afirmou.