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Lula x Flávio: quem sai ganhando e quem perde no tarifaço de Trump, segundo cientista político

22 de Julho de 2026, 16:28 5 visualizações
Lula x Flávio: quem sai ganhando e quem perde no tarifaço de Trump, segundo cientista político

A entrada em vigor das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros passou a ocupar o centro da disputa política e pode produzir efeitos diretos na corrida presidencial. Em entrevista ao programa Ponto de Vista, apresentado por Laísa Dall’Agnol, o cientista político Paulo Ramires, professor da ESPM, afirmou que a sequência dos acontecimentos acabou prejudicando a imagem do senador Flávio Bolsonaro e fortaleceu a narrativa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em defesa da soberania nacional (este texto é um resumo do vídeo acima).

Ao abrir a entrevista, Laísa destacou que o governo tem apostado no discurso da soberania, enquanto Flávio tenta afastar a associação entre sua atuação nos EUA e a retomada das tarifas.

Por que a cronologia dos fatos pesa contra Flávio Bolsonaro?

Segundo Ramires, a sucessão dos acontecimentos tornou mais difícil para Flávio dissociar sua imagem da crise comercial. O cientista político lembrou que, após encontros diplomáticos entre Lula e o presidente americano, o cenário comercial havia se estabilizado. Na avaliação dele, a visita de Flávio a Trump e a retomada das tarifas poucos dias depois acabaram criando uma associação política desfavorável ao senador. “Pesa muito contra o Flávio esta visita e a coincidência. A cronologia o prejudica.”

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Quem tem capitalizado politicamente a crise?

Ao analisar as pesquisas eleitorais, Ramires afirmou que o episódio coincidiu com uma queda gradual nas intenções de voto de Flávio, somando-se a outros fatores enfrentados pelo senador. Segundo ele, Lula conseguiu transformar o tema em um argumento favorável ao governo. “Quem tira maior proveito dessa situação política acaba sendo o presidente Lula, uma vez que ele volta com o argumento de que há uma defesa da soberania nacional.”

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O professor observou ainda que o pedido enviado por Flávio à Casa Branca para evitar a retomada do tarifaço demonstra o reconhecimento dos efeitos políticos da medida. “O estrago está feito não só para a economia brasileira, mas principalmente para a eleição de Flávio Bolsonaro.”

O tarifaço também dividiu a direita?

Durante a entrevista, o editor José Benedito da Silva questionou se outros nomes do campo conservador poderiam aproveitar o desgaste de Flávio Bolsonaro, citando o aumento das críticas do ex-governador Ronaldo Caiado ao senador. Na avaliação de Ramires, a crise comercial aprofundou divisões já existentes entre diferentes grupos da direita. “O tarifaço divide os grupos de direita.”

Segundo ele, parte do empresariado e do agronegócio, segmentos historicamente próximos ao bolsonarismo, passou a reavaliar sua posição diante da condução do episódio. Ramires afirmou que, enquanto Lula buscou enfatizar as negociações com os EUA, a atuação da família Bolsonaro acabou sendo percebida como contrária aos interesses de parte desses setores econômicos.

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Quem pode se beneficiar da fragmentação do campo conservador?

Para o cientista político, candidatos como Caiado tendem a disputar o eleitorado hoje identificado com Flávio. “A estratégia desses outros candidatos é buscar retirar votos de Flávio visando o segundo turno.”

Segundo Ramires, esse movimento produz um efeito de fragmentação dentro da direita e amplia as dificuldades para a construção de uma candidatura unificada contra Lula. “Isso beneficia ainda mais o Lula, porque cria uma situação de ‘tiro amigo’, ou seja, não há uma unidade dos candidatos de direita.”

A disputa na direita ainda pode mudar?

Na avaliação final, Ramires afirmou que o desgaste enfrentado por Flávio, somado a investigações, à crise provocada pelo tarifaço e às disputas internas no campo bolsonarista, estimulou o avanço de outros pré-candidatos conservadores. Apesar desse cenário, o cientista político ponderou que a definição da disputa permanece aberta. “Seja lá quem chegar ao segundo turno com Lula, tem condições de disputar sim a presidência numa situação de equiparação.”

VEJA+IA: Este texto resume um trecho do programa audiovisual Ponto de Vista (confira o vídeo acima). Conteúdo produzido com auxílio de inteligência artificial e supervisão humana.

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