Lulinha e Marcola viram "trunfos" em campanha de Flávio Bolsonaro
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) pretende transformar as investigações que citam Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, em uma das principais linhas de ataque ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa pelo Planalto.
A estratégia é associar pessoas próximas ao presidente, como o filho e o ex-chefe de gabinete, a suspeitas de corrupção e tráfico de influência para ampliar o desgaste do governo e tentar recuperar entre os eleitores o “sentimento de antipetismo” que marcou outras eleições.
Flávio já incorporou o tema aos discursos, e integrantes da campanha vêm aumentando as críticas. A intenção é manter os casos em evidência ao longo da disputa e explorar novos desdobramentos das investigações.
Nesta terça-feira (18/8), em Brasília, o coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que as apurações criam um “constrangimento” para o PT e disse considerar natural que o assunto seja levado para a campanha.
“Não acho que [as revelações] sejam um presente para a campanha. Isso mostra que o entorno do governo PT — o seu irmão, o seu filho — estão envolvidos e sendo investigados por crimes. Não é um presente para nós, é um constrangimento. O PT não aprendeu nada”, afirmou Marinho.
A escolha de Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice reforça essa linha de atuação. Relator da CPMI do INSS, o deputado pediu, no relatório final da comissão, o indiciamento de Lulinha por corrupção, tráfico de influência, organização criminosa e lavagem de dinheiro. O parecer foi rejeitado pela comissão.
Nesta terça, Gaspar voltou a relacionar as investigações ao Palácio do Planalto. “A corrupção chegou ao gabinete presidencial. Quando nós fizemos o relatório da CPMI, apontamos Lulinha e Roberta Luchsinger como traficantes de influência e corruptos. Levou seis meses para a Polícia Federal descobrir o que nós descobrimos lá atrás”, declarou.
O candidato a vice-presidente também citou Marcola e Swedenberger Barbosa, chefe do gabinete adjunto de Gestão Interna da Presidência. “Gabinete presidencial está sujo com a corrupção. Roubaram o dinheiro dos aposentados e pensionistas. Fizeram viagens, receberam mesada, compraram joias, diamantes. Agora, infelizmente, todo dia uma nova novidade”, disse.
Campanha mira desgaste do PT
Ao tratar do uso eleitoral dos casos, Alfredo Gaspar afirmou que a campanha pretende apresentá-los como um contraste entre Flávio e Lula no combate à corrupção e ao crime organizado.
“O Brasil precisa saber, e isso de modo claro, quem é que vai combater a corrupção e quem pratica a corrupção, quem combate o crime organizado e quem incentiva o crime organizado. Você vai ter dois Marcolas: o Marcola do crime organizado e o Marcola do gabinete presidencial envolvido na corrupção. É natural”, afirmou.
Flávio Bolsonaro também elevou o tom nesta terça, durante agenda em Belo Horizonte. O candidato acusou Marcola de abrir portas em ministérios para negócios ligados ao filho do presidente e afirmou que tanto o ex-assessor quanto Lulinha serão alvos de sua campanha.
“Podem ter a certeza de que nós vamos proteger vocês, ninguém vai tocar no contracheque de vocês, e vamos responsabilizar aquelas pessoas que tiveram a pachorra de roubar dinheiro de aposentado, como, ao que tudo indica, é o filho do Lula, é o Marcola do Lula. Esse ‘Marcolão’ vai ser exposto e vai ser responsabilizado por abrir as portas de vários ministérios para que a família do Lula fizesse negócio usando o dinheiro público”, disse Flávio.
A campanha vê nas investigações uma oportunidade para aumentar a pressão sobre Lula e pretende manter Lulinha e Marcola no centro do discurso contra o governo. A aposta é aproveitar novos desdobramentos das apurações para reforçar a associação do PT a casos de corrupção.
O combate à corrupção e ao crime organizado devem estar entre as principais bandeiras da campanha do filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O que pesa sobre Lulinha e Marcola
Lulinha é alvo de três inquéritos autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a pedido da Polícia Federal. Reportagem do Metrópoles, na coluna Tácio Lorran, , revelou mensagens atribuídas a Lulinha e à lobista Roberta Luchsinger, investigada por suspeita de tráfico de influência.
Segundo a apuração, os diálogos tratam de negócios, reuniões e contatos com integrantes do governo.
A coluna também informou que a PF identificou repasses de R$ 1,5 milhão feitos pelo empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, a Roberta. Em uma das transferências, segundo a investigação, o empresário afirmou a um interlocutor que o dinheiro seria destinado ao “filho do rapaz”. Para a PF, a expressão pode ser uma referência a Lulinha.
Os inquéritos abertos contra Lulinha
- O filho do presidente Lula é alvo de ao menos três inquéritos na Polícia Federal.
- Um deles apura suspeitas de tráfico de influência e corrupção em negociações envolvendo o Ministério da Saúde.
- Outro investiga possível favorecimento a empresários na Dataprev.
- O terceiro apura a atuação de um grupo que teria mantido negócios ilícitos em áreas do governo federal.
A defesa do filho do presidente nega irregularidades. Os advogados afirmam que Lulinha atua exclusivamente na iniciativa privada, não mantém negócios ligados ao governo federal e que as quebras de sigilo bancário e fiscal não apresentaram provas de práticas ilegais.
Lula disse na última sexta-feira (14/8) acreditar na versão apresentada pelo filho, mas afirmou que não pretende interferir nas apurações.
“Ele jura que não tem nada. Eu acredito nele. Mas já disse: ninguém vai pedir fechamento de processo do meu filho”, declarou.
O presidente acrescentou que Lulinha deverá responder às investigações e se defender caso seja necessário: “Só ele sabe a verdade. Se não fez, como jura, brigue. Se é culpado, contrate advogado. Eu estou muito tranquilo”.
Ex-chefe de gabinete de Lula, Marcola trabalhou próximo ao presidente, com acesso a ministros e à agenda presidencial. Ele deixou recentemente a campanha petista após a revelação de que recebeu R$ 249 mil de Roberta Luchsinger.
Marcola reconheceu ter recebido o dinheiro, mas afirmou que se tratava de um empréstimo para resolver uma questão familiar e que a dívida foi posteriormente paga, com juros e correção.
O Metrópoles, na coluna Tácio Lorran, também revelou diálogos em que Roberta e Marcola conversam sobre joias. A PF suspeita que a lobista tenha comprado presentes e pago despesas do então assessor para manter acesso e influência no núcleo do governo.
À coluna, interlocutores da defesa de Marcola afirmaram que as joias custaram R$ 9,2 mil e faziam parte do empréstimo de R$ 249 mil, posteriormente quitado.
Lula e PT defendem investigação
A resposta do PT tem sido afirmar que Lula não pretende interferir nas investigações e que eventuais responsáveis devem ser punidos. Nos bastidores, porém, o avanço dos inquéritos preocupa integrantes do partido diante do potencial de exploração eleitoral dos casos.
Em conversa com jornalistas nessa segunda-feira (17/8), o presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que Lula defende a apuração de todas as suspeitas, inclusive as que atingem pessoas próximas a ele.
“Ele já disse isso: se envolvem o Fábio, ele quer que essas denúncias sejam investigadas, da mesma forma que ele quer que as denúncias que envolvem o Marcola também sejam investigadas”, disse.
Segundo Edinho, ambos têm direito à defesa, mas devem responder às apurações.



