Maior abrangência da IA pode piorar a desigualdade global, segundo nova análise das Nações Unidas
O Painel Científico Internacional Independente sobre a IA da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgou nesta quarta-feira, 1, uma análise preliminar sobre o impacto da IA sobre diversas áreas do mundo e da sociedade. Os resultados encontrados identificaram que as medidas atuais de proteção ao avanço da tecnologia não conseguem se equiparar à velocidade com que as capacidades da IA evoluem.
A análise estabelece os principais riscos e oportunidades acerca do uso das inteligências, em diversas áreas, como educação, saúde, tecnologia, agricultura, entre outras. O documento define que, apesar das boas capacidades, somente o acesso às ferramentas de IA não garante um benefício igualitário. Países que dependem de modelos, nuvem e dados estrangeiros podem até acessar IAs que ajudam em certos casos, mas o farão com a consequência de não terem controle geral sobre os padrões e medidas de segurança.
O documento também oferece indicações sobre como países membros das Nações Unidas devem agir para tomar as boas capacidades da IA para o crescimento dos mais diversos campos, com a menor ameaça possível às suas liberdades. Dentre elas, a Organização defende que os Estados desenvolvam infraestrutura de IA própria, melhorem o ensino sobre o uso de inteligências na escola e nas forças de trabalho, e que institutos de defesa sejam criados, com o investimento em desenvolvedores.
Ainda de acordo com a análise, a adoção de plataformas de IA no sul global do planeta estaria “atrasada” com relação ao norte. Para eles, a concentração das capacidades dos modelos em um pequeno número de países pode permitir que ações autoritárias diminuam a autoridade dos países.
“Nós estamos muito preocupados. A corrida pela vantagem está levando o mundo à riscos com magnitudes subestimadas. Muitos dos desenvolvedores sabem, mas acreditam que não tem escolha ao trabalhar para empresas guiadas pelo lucro”, dizem Yoshua Bengio e Maria Ressa, líderes do painel. “Abrimos a caixa de Pandora. O que está vindo é diferente de qualquer coisa que já vivemos — em questão de ritmo, poder, controle e riscos diários”, alertam.