MDB vai checar ‘ficha criminal’ de quem tentar se filiar ao partido para evitar PCC e CV
O Movimento Democrático Brasileiro (MDB) adotou uma norma para tentar impedir filiação e a candidatura de criminosos ligados a facções criminosas, como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) nas eleições deste ano. “A medida, formalizada pela Resolução MDB nº 1, surge em um cenário de alerta emitido por órgãos de segurança sobre tentativas de infiltração de grupos criminosos no processo eleitoral”, disse publicação do partido nesta segunda-feira, 15.
A partir de agora, os diretórios regionais deverão analisar a ficha criminal daqueles que tentam se filiar à legenda. O artigo 5º da norma diz que “fica vedada a filiação, a indicação ou a candidatura de pessoas vinculadas a facções criminosas, milícias, grupos paramilitares ou organizações criminosas congêneres, devendo os órgãos partidários competentes adotar medidas preventivas e permanentes de verificação da vida pregressa, dos antecedentes, da origem de recursos e de vínculos pessoais, familiares, profissionais ou societários de filiados e pré-candidatos, especialmente no momento da formação de chapas e da escolha de candidaturas”.
O documento visando as eleições deste ano é assinado pelo presidente nacional da legenda, deputado federal Baleia Rossi (SP). De acordo com o partido, caso seja identificado um indício razoável de vínculo com o crime organizado, a legenda deve adotar providências imediatas, como a suspensão preventiva da indicação e o encaminhamento do caso à Comissão de Ética e Disciplina.
A decisão do MDB ocorre em um momento em que a Polícia Fe deral (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) já estão monitorando ações de integrantes do crime organizado que tentam, cada vez mais, infiltrar-se no meio político. As facções apontam criminosos para disputar eleições e financiam campanhas — com dinheiro oriundo de ilícitos como tráfico de drogas. Uma vez em governos — principalmente municipais — eles influenciam negociações, licitações e tentam lavar dinheiro de origem criminosa. Há também pressão política para mudar legislação que beneficie o trancamento de investigações contra os criminosos.